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Economia

A proposta dos "três terços" revive um planejamento do BID e volta a dividir o Mercosul

09/09/2026 00:45 3 min lectura 271 visualizações

Uma nova proposta para distribuir a cota de 99.000 toneladas de carne bovina do acordo Mercosul–União Europeia entrou em cena nas últimas horas, embora longe de encerrar a discussão abriu novas diferenças entre governos e entidades privadas de setores rurais da região.

O presidente da Federação de Associações Rurais do Mercosul (FARM), Jorge Andrés Rodríguez, tornou pública em Valor Agregado Uruguai uma fórmula baseada em dividir o volume em três partes e assegurou que existem conversações entre os privados e que, até o momento, não se haviam apresentado objeções.

A alternativa contempla distribuir um 33% da cota em partes iguais entre os países habilitados para exportar, outro 33% de acordo com os antecedentes de utilização e cumprimento da própria cota, e manter o terço restante sob o mecanismo de "primeiro chegado, primeiro servido".

Rodríguez explicou que a intenção é encontrar um mecanismo que contribua com previsibilidade e permita ao Mercosul chegar a uma posição comum.

Contudo, informações às quais teve acesso Valor Agro com fontes vinculadas às negociações sinalizaram que uma proposta de características similares havia sido apresentada meses antes pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aos governos do Mercosul, sem que conseguisse um acordo entre todas as partes.

De acordo com as informações colhidas por Valor Agro, o planejamento técnico do BID contemplava a possibilidade de combinar três critérios de distribuição e inclusive modificar o peso relativo de cada um. Ou seja, a fórmula não necessariamente deveria estabelecer três partes iguais de 33%: uma alternativa poderia destinar, por exemplo, um 50% do volume ao reparto equitativo entre os países e dividir o 50% restante entre antecedentes comerciais e o sistema de "primeiro chegado, primeiro servido", com diferentes combinações possíveis.

O principal obstáculo, contudo, continua sendo político. Fontes consultadas por Valor Agro indicaram que existem diferenças importantes entre os governos do Mercosul sobre como deve distribuir-se a cota europeia e que essa distância, até o momento, impede construir uma posição comum.

Nesse cenário, o Paraguai mantém uma postura particularmente firme. Segundo pôde apurar Valor Agro, o Governo paraguaio não apoiará "de forma alguma" uma distribuição baseada em três terços e continuará defendendo que a totalidade da cota seja repartida equitativamente entre os quatro sócios. A posição de Assunção segue sendo atribuir um 25% ao Paraguai, 25% ao Brasil, 25% à Argentina e 25% ao Uruguai.

Simultaneamente, dentro do próprio setor privado de alguns países sinalizaram que não existe intenção de avançar sob esse mecanismo.

Além da discussão sobre percentuais, existe outro ponto que começa a preocupar especialmente aos negociadores do bloco: o que ocorre se o Mercosul não define internamente como distribuir as 99.000 toneladas.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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