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Brasil-Paraguai

A Ponte da Amizade entra na era da fiscalização inteligente

Brasil e Paraguai modernizam controle de fronteira com tecnologia e gestão de riscos

13/09/2026 07:45 4 min lectura 513 visualizações

A fronteira entre Brasil e Paraguai se encaminha para uma nova etapa de modernização na movimentada região de Três Fronteiras.

A Receita Federal (Alfândega) de Foz do Iguaçu prevê começar em outubro as primeiras provas de um sistema tecnológico denominado "fronteira inteligente", com o objetivo de aumentar a fiscalização sem gerar maiores obstáculos ao intenso fluxo de pessoas e veículos.

A primeira fase de validação se concentrará no fluxo de pedestres que atravessam a fronteira. O projeto faz parte do plano de gestão aduaneira 2026–2028 e é desenvolvido em coordenação com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), empresa pública brasileira encarregada de soluções tecnológicas para organismos do Estado.

Marcelo Mossi Vendramini, delegado da Receita Federal em Foz, explicou que a intenção é utilizar ferramentas de inteligência, automatização e gestão de riscos para identificar de maneira mais eficiente as situações que requerem uma fiscalização direta. A proposta busca controlar mais sem entorpecer o fluxo de veículos e pessoas pela Ponte da Amizade.

Em vez de submeter todos os viajantes ao mesmo nível de inspeção, o novo modelo pretende utilizar informação e análise de riscos para concentrar os recursos de fiscalização naqueles casos considerados de maior interesse aduaneiro.

A iniciativa pretende converter Foz do Iguaçu em um laboratório de inovação aduaneira terrestre, onde serão desenvolvidas e testadas soluções que posteriormente poderiam ser utilizadas em outras fronteiras do Brasil.

O Plano. O plano de gestão contempla avançar de um modelo baseado em controles presenciais, verificações físicas e intervenções manuais para uma estrutura apoiada em informação antecipada, inteligência, fiscalização seletiva, automatização e monitoramento remoto.

Um dos objetivos é que a Alfândega deixe de depender exclusivamente da ampliação de estruturas físicas para aumentar sua capacidade operativa. A aposta é que a tecnologia permita processar um volume cada vez maior de pessoas e mercadorias com uma utilização mais eficiente dos agentes e equipamentos disponíveis.

Com a transferência progressiva do transporte de cargas para a Ponte da Integração, a intenção é que a Ponte da Amizade concentre principalmente o movimento turístico e uma fiscalização baseada em inteligência. A estratégia também contempla consolidar os modelos operativos das novas alfândegas da Ponte da Integração e da Ponte Tancredo Neves, cujas estruturas físicas já se encontram concluídas.

Centro Integrado. O plano de gestão 2026–2028 está estruturado em oito eixos estratégicos que abrangem a consolidação das novas alfândegas, a implementação de uma fronteira inteligente e gestão de riscos, a modernização da Ponte da Amizade, o novo Porto Seco e a logística, o combate ao contrabando e à entrada irregular de mercadorias, a gestão de pessoas, a governança patrimonial e a inovação com capacidade de replicação nacional.

Também está prevista a criação de um Centro Integrado de Enfrentamento aos Ilícitos Transfronteiriços, concebido como uma segunda linha de fiscalização para atuar sobre rotas alternativas, pontos de transbordo e estruturas utilizadas fora dos passos oficiais.

A isso se somam projetos como uma Universidade Corporativa de Fronteiras e um Laboratório Nacional de Inovação, que buscam fortalecer a capacitação e o desenvolvimento de novas ferramentas para o controle fronteiriço.

A magnitude do movimento explica a necessidade de mudar o modelo.

Os principais pontos fronteiriços sob responsabilidade da Alfândega de Foz do Iguaçu movimentam aproximadamente 50.000 veículos e 126.000 pessoas por dia em trânsito internacional.

Enquanto o Aeroporto Internacional de Foz recebe cerca de 2,5 milhões de passageiros por ano, o crescimento sustentado do comércio bilateral e do turismo reforça a necessidade de otimizar os processos de fiscalização.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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