A paradoxo paraguaia: Sucesso econômico e frustração social
Um crescimento com expectativas crescentes
O Paraguai não é um fracasso econômico. Muito pelo contrário, o país reduziu significativamente a pobreza desde o início dos anos 2000, quando a maioria de sua população enfrentava condições de vulnerabilidade. Expandiu-se a classe média, cresceram as cidades e melhoraram as condições de vida de milhões de paraguaios. Esses avanços são reais e explicam por que o país é considerado uma das economias mais estáveis da América Latina.
Não obstante, uma parte importante da população sente que esses avanços não se traduzem em melhorias suficientes em sua vida cotidiana. Persistem salários baixos, emprego informal, serviços públicos deficientes e uma sensação de exclusão econômica.
A resposta a essa paradoxo tem raízes estruturais. As expectativas sociais cresceram ainda mais rapidamente que a capacidade da economia de gerar oportunidades. Isso se observa especialmente entre os jovens, que são mais educados, mais conectados ao mundo e têm aspirações maiores que as gerações anteriores. As redes sociais expõem permanentemente estilos de vida e níveis de consumo que elevam as expectativas de bem-estar. Quando as oportunidades não avançam no mesmo ritmo, a sensação de exclusão e frustração se torna mais intensa.
Uma economia dual com setores desconectados
Parte do desafio reside em que crescimento e distribuição não são sinônimos. Uma economia pode expandir-se sem que todos os setores sociais se beneficiem de igual maneira. No Paraguai, grande parte do dinamismo provém de setores altamente produtivos e competitivos — agroindústria, exportações, maquila, finanças, logística e construção — que geram riqueza, mas nem sempre emprego em massa ou acessível para quem carece de capacidades técnicas.
O resultado é uma economia dual. Por um lado, existe um Paraguai moderno, integrado aos mercados internacionais, tecnologicamente mais sofisticado e competitivo. Por outro, persiste um Paraguai vulnerável, caracterizado por informalidade laboral, baixa produtividade e acesso limitado a serviços públicos de qualidade.
A informalidade como divisor principal
A informalidade tornou-se uma das principais divisões econômicas do país. Não apenas limita ingresos e produtividade, como também expõe milhões de pessoas a uma vulnerabilidade permanente diante de problemas de saúde ou perda de emprego.
Desigualdade em capital humano e educação
A isso se soma a desigualdade em capital humano. A economia moderna valoriza cada vez mais as habilidades técnicas, o manejo de tecnologia, os idiomas e a capacidade de aprendizagem contínua. No entanto, amplos setores de menores ingresos continuam tendo acesso limitado à educação de qualidade, conectividade e formação técnica. A grande desigualdade do presente é, em grande medida, uma desigualdade de capacidades.
Se o Paraguai não melhorar substancialmente a qualidade de seu investimento educativo e de formação laboral, a revolução tecnológica — incluindo a inteligência artificial — poderia ampliar ainda mais as lacunas existentes.
Serviços públicos e limitações territoriais
Outro fator determinante é a fraqueza dos serviços públicos. Mesmo quando os ingresos familiares melhoram, muitas pessoas continuam enfrentando sistemas de saúde insuficientes, transporte precário, educação desigual e infraestrutura urbana limitada. Isso restringe a mobilidade social e alimenta a percepção de que o progresso beneficia apenas determinados setores.
Existe também uma dimensão territorial significativa. Boa parte do dinamismo econômico concentra-se em Assunção, Central e alguns corredores agroexportadores, enquanto outras regiões avançam mais lentamente e têm menor acesso a infraestrutura, investimento e serviços públicos.
Concentração histórica de recursos
A isso se agrega a concentração na posse de terras e recursos produtivos. O Paraguai herdou estruturas históricas de concentração de propriedade que limitam o acesso de setores mais amplos à oportunidade de gerar renda e patrimônio.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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