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Saúde

A Origem Neolítica das Doenças que Saltam de Animais para Pessoas

10/05/2026 16:45 4 min lectura 0 visualizações
El Neolítico Origen de las enfermedades que saltan de animales a personas

Uma zoonose é uma doença que se transmite de animais para humanos e estamos convivendo com elas desde o Neolítico, com páginas negras na história como a peste, e embora sejam "razoavelmente frequentes", são fruto de "vários eventos de acaso que não costumam acontecer", afirma à EFE a virologista espanhola Margarita del Val.

A atual crise sanitária a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, com um surto de hantavírus, voltou a chamar a atenção, como já havia acontecido na pandemia do SARS-COV-2, para as zoonoses, das quais existem mais de 200 tipos conhecidos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

As zoonoses convivem com os humanos desde o Neolítico, quando começou a agricultura e atraiu roedores, explica Del Val, pesquisadora do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa (CBM, CSIC-UAM) de Madri.

Principalmente na Eurásia, nessa mesma época, houve um grande número de zoonoses com a chegada da pecuária, pelo seu estreito contato com os humanos e posteriormente pela criação intensiva, que torna mais fácil que haja vírus que, por acaso, deem um salto porque se adapta à transmissão entre pessoas.

Pelo menos dois terços das infecções humanas conhecidas têm seu equivalente em animais, ou seja, que "provavelmente a imensa maioria tenha vindo de animais, embora algumas não estejam identificadas como tais".

Uma das piores zoonoses da história poderia ser "provavelmente" a peste que assolou a Europa no século XIV e uma das mais antigas é a varíola, que acompanha a espécie humana há milhares de anos.

Também há exemplos "muito recentes", nos últimos 20 ou 30 anos. O hantavírus foi detectado pela primeira vez na década de 1990 nos Estados Unidos, embora fosse uma variedade distinta da detectada agora no navio de cruzeiro e não se transmitisse entre pessoas.

Cita, entre outros, o coronavírus MERS do Oriente Médio, que salta habitualmente de camelos para pessoas que estão em estreito contato com eles; a gripe aviária, que não se transmite entre pessoas; o vírus do Nilo ou o vírus Nipah, "distantemente aparentado com o sarampo".

Vários deles são monitorados "muito atentamente" pela mortalidade que causam e, embora possa haver saltos habituais, reage-se muito rapidamente e costuma-se parar a cadeia de transmissão, detalha Del Val. A virologista explica que há muitas casuísticas segundo o patógeno, mas para que salte de um animal para os humanos fazem falta, no mínimo, dois eventos de acaso.

"O primeiro acaso é que se gere uma mutação que ao vírus não lhe serve para nada de imediato, mas que permite sua multiplicação em pessoas", e o segundo, que encontre aos humanos e se estabeleça em uma população com densidade suficiente para transmitir-se de uns aos outros, diz a virologista.

Daí, a razão de fazer quarentenas, que é reduzir drasticamente o tamanho da população, porque "se não consegues transmiti-la para ninguém, acabou a cadeia de transmissão".

Em muitos casos, o salto não se produz "no dia seguinte da mutação" e, quando se estuda o vírus, descobre-se que levava tempo circulando entre os animais sem que se desse uma circunstância para saltar produtivamente e transmitir-se entre pessoas.

Del Val também enfatiza outra circunstância: a quantidade de vírus que pode haver em um infectado; se não atinge um limite, a pessoa não consegue contagiar. Esse seria o caso do vírus do Nilo Ocidental em zonas da região espanhola da Andaluzia.

De ida e volta. Mas como tudo na natureza está conectado, não apenas o ser humano é vítima das doenças que "escapam" dos animais, e existem zoonoses inversas. O coronavírus que causou a Covid-19 leva seis anos entre nós e o ser humano já o transmitiu para 18 espécies de animais em vários continentes. "Não somos uma ilha, mas há intercâmbio regular de todo tipo", assinala.

A mudança climática pode, em ocasiões, influir neste tipo de transmissões entre espécies.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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