A oposição paraguaia: entre a fragmentação e a necessidade de construir alternativa
A oposição frente ao avanço do oficialismo
Diante deste avanço, a oposição apresenta uma configuração complicada. Está fragmentada no aspecto organizativo e no ideológico. Não a une uma estrutura comum nem um ideário compartilhado. Paradoxalmente, tampouco parece uni-la o adversário de frente, a julgar pela porosidade das fronteiras partidárias e o alinhamento de alguns com o oficialismo no Congresso.
O complexo equilíbrio de ser oposição
Ser oposição é uma tarefa complexa que requer múltiplas dimensões. Deve fiscalizar, criticar e se opor ao governo, mas também construir uma proposta positiva e demonstrar que possui capacidade de governar. É um desafio difícil permanecer fora do governo, mas ao mesmo tempo convencer a cidadania de que é possível fazê-lo.
O PLRA: história, divisões e persistência
No centro deste panorama está o PLRA, um partido histórico que tem demonstrado capacidade de adaptação e sobrevivência. Forjado na resistência à ditadura stronista, leva a marca da resiliência e possui um denso enraizamento territorial que constitui a base de sua persistência.
Porém, o PLRA também é o partido das divisões internas e das lutas fratricidas. Como aponta a teoria política, quanto menos espera governar uma oposição, menores são seus incentivos para ser responsável. A competição interna pode então converter-se em um fim em si mesma e o controle do partido pode resultar mais importante que sua preparação para governar. Apesar disto, o PLRA continua sendo o partido opositor mais expressivo e organizado, dividido mas presente. Sua estrutura constitui uma base indispensável para construir uma alternativa.
O ecossistema opositor: pluralidade sem coesão
O resto do ecossistema opositor é igualmente complexo. Convivem partidos históricos de reduzida musculatura eleitoral, partidos de estrutura fraca, organizações personalistas e algumas virtualmente inexistentes. Uma pluralidade de siglas carentes de organização, presença territorial e identidade política articuladora.
Este conglomerado de organizações concentrou seus esforços durante trinta anos em encontrar um candidato capaz de derrotar a ANR. Para isto ensaiou múltiplas estratégias eleitorais que não alcançaram o objetivo. O erro fundamental não foi a busca do candidato, mas converter essa busca em substituto da construção partidária. Buscou-se a pessoa que encabeçasse a chapa, mas nunca se pensou em construir a organização, o programa de governo ou os mecanismos de coordenação que sustentariam essa candidatura. Assim, em cada eleição buscou-se construir um candidato, mas nunca uma organização estável.
Os requisitos para ser alternativa de governo
A ciência política e a evidência empírica demonstram que uma oposição não se forma unicamente por não estar no governo. Necessita organização, institucionalização e lideranças comprometidas. Converter-se em alternativa requer, além disso, um programa coerente. E como é evidente que uma única ideologia não pode aproximar uma constelação tão heterogênea de atores, os acordos políticos de médio prazo também funcionam como mecanismos de coordenação.
O papel do PLRA na construção da alternativa
Por história, tamanho e presença territorial, ao PLRA cabe conduzir a construção de uma plataforma de oposição e alternativa. Mas liderar não significa impor, mas ordenar, coordenar e dirigir.
A tarefa da oposição é, portanto, titânica. Deve controlar a um partido predominante, reduzir sua fragmentação, construir um programa e convencer a cidadania de que pode governar. Seu desafio não consiste unicamente em unir-se para derrotar o adversário político. Consiste em demonstrar que pode ser, ao mesmo tempo, oposição responsável e alternativa de governo viável.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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