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Internacional

A odisseia de nadar 7 horas no mar para chegar à Espanha e "mudar de vida"

08/08/2026 19:45 4 min lectura 6 visualizações

Tem 22 anos e chegou nadando desde Marrocos após sete horas na água gelada: "Em Marrocos não há uma boa vida. Vim para mudar a minha, para melhor", explica à EFE após ter sobrevivido à travessia.

Sua história não é única. Ao seu lado, milhares de pessoas descansam exaustas à beira do mar. Levam a mesma roupa com que cruzaram a nado dias atrás. Os mais afortunados ainda têm seus tênis, ainda que a maioria esteja quebrada. Os que têm menos, vão descalços.

No passado 30 de julho, dezenas de milhares de pessoas, 72 mil segundo o Governo espanhol, cruzaram a nado desde Marrocos a Ceuta; e embora segundo fontes oficiais, cerca de 70 mil já tenham retornado a esse país, ainda restam muitos outros que permanecem na cidade, em situação muito precária.

Ao chegar à orla, a imagem é arrebatadora. Os serviços médicos do hospital público de Ceuta e voluntários de alguma ONG se deslocaram até lá para atender aos recém-chegados, que aguardam a vez por rigorosa ordem de chegada. Mas não dão conta: não são suficientes para atender todas as necessidades.

A maioria mostra arranhões e cortes profundos nos pés, embora também haja casos com sintomas severos de desidratação ou fraturas ósseas. Um jovem desfalece a poucos metros enquanto outro tenta conter o sangramento abundante de uma ferida.

Não há apenas marroquinos: a orla reúne também homens vindos de Senegal, Nigéria e outros pontos do continente africano.

Apesar do cansaço, cuidam-se e ajudam-se entre si. Durante o dia aproveitam os chuveiros públicos da praia para se assearem e encher garrafas de água. A Cruz Vermelha trabalha sem parar distribuindo comida e cobertores. Porém, ao cair da noite, a maioria prefere escalar os pequenos montes que bordeiam a costa para dormir entre as árvores. "Ali nos sentimos mais seguros", confessam.

No monte é onde dorme Azzdine, que ao despertar descobriu uma lesão no pé sem saber como se produziu. "Acordei e vi a ferida. Agora vim aqui para que os médicos me atendam", comenta à EFE, grato pela atenção sanitária recebida.

A poucos metros, Oussama, de 21 anos, tem a mão enfaixada. Cruzou a nado na quarta-feira à três da tarde, algo que havia tentado várias vezes há três anos, sem conseguir. Desta vez, ao ver vídeos nas redes sociais de muita gente chegando a nado, voltou a tentar. Quase não conseguiu contar.

"Passei três horas nadando no mar. Estive demasiado perto de morrer", relata à EFE. Na corrida para tocar terra firme, caiu e se fraturou um dedo.

"Deram-me medicamentos, nos cuidam e nos dão comida. Graças à Espanha, isto jamais teria acontecido em outros países", garante animado, com a vista posta em terminar seus estudos de Informática e poder enviar dinheiro para sua mãe enferma em Marrocos.

A maioria dos que habitam esta praia são maiores de idade. Ao ver os jornalistas se aproximarem, se aproximam com enorme respeito.

Perguntam se se sabe algo de seu futuro, o que se vai fazer com eles, quando vai mudar sua situação ou se vão receber algum tipo de proteção. Também pedem emprestado, quase com desespero, alguma bateria externa. Levam dias sem bateria nos celulares e o único que necessitam é enviar uma mensagem para suas famílias para dizer-lhes que estão vivos e bem.

Tanto Azzdine como Oussama compartilham a alegria imensa de ter alcançado solo espanhol, um sonho perseguido durante anos. Porém, à medida que passam as horas, a euforia inicial vai deixando lugar à incerteza: ninguém sabe o que acontecerá amanhã.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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