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Internacional

A migração enfrenta os governos da Espanha e Itália

09/08/2026 07:45 4 min lectura 10 visualizações

Os agentes espanhóis começaram neste sábado os controles fronteiriços temporários para viajantes procedentes da Itália, uma decisão adotada em resposta às medidas similares impostas por Roma após a entrada massiva de migrantes em Ceuta no final de julho.

Estes controles em conexões aéreas e marítimas estão sendo realizados "de forma aleatória", centrados especialmente "nos passageiros que sejam cidadãos nacionais de terceiros países", especificou o sábado o Ministério do Interior.

Nos voos revisados, que não são todos nem a todos os passageiros, os agentes realizam o controle na saída da passarela que conduz para fora do avião, sem causar desvios do fluxo de passageiros, apontou o Interior.

O Governo espanhol, presidido pelo socialista Pedro Sánchez, anunciou a medida na sexta-feira depois que a Itália rejeitasse o ultimato lançado horas antes exigindo o fim dos controles impostos após a crise de Ceuta.

Os controles na Espanha começaram a vigorar no sábado e se prolongarão em princípio até 7 de setembro.

As autoridades espanholas justificaram a medida pela "persistente pressão migratória irregular" que enfrenta a Itália, para onde chegam anualmente milhares de migrantes por mar.

O ESPAÇO SCHENGEN. Roma fechou temporariamente para a Espanha o espaço Schengen, a zona de livre circulação da União Europeia, após a chegada de cerca de 72 mil migrantes ao enclave espanhol no norte da África vindo do vizinho Marrocos no final de julho.

O executivo da primeira-ministra Giorgia Meloni argumentou então a medida como "uma decisão necessária para proteger a segurança" de seus cidadãos "e defender as fronteiras da Europa".

Na sexta-feira, após a ameaça de Madri, o gabinete de Meloni respondeu que "a Itália não aceita ultimatos" e que não tinha intenção de "revisar a decisão" antes de 15 de agosto. Horas depois, a Espanha anunciou a imposição dos controles.

GUERRA TOTAL E MURO. O "confronto total", "a crise" ou "o muro" entre Itália e Espanha pela suspensão recíproca do tratado de livre circulação de Schengen em razão da crise migratória em Ceuta protagonizou a imprensa italiana. "Itália e Espanha, agora há um confronto total", titula o jornal Corriere della Sera que afirma que "a represália espanhola já havia sido contemplada, mas a postura do Governo italiano se mantém inalterada". Agora, acrescenta, "o temor é que a iniciativa espanhola possa prejudicar os turistas italianos com controles generalizados, em lugar de aleatórios, nos portos e aeroportos espanhóis, especialmente nas ilhas" de Baleares e Canárias.

"La Stampa" titula em sua primeira página impressa "A corrida Espanha-Itália", e aponta: "O desafio reside agora em um difícil equilíbrio. Roma não pode dar marcha ré após ter convertido a segurança fronteiriça em um dos pilares de sua ação política. Madri não pode baixar a pressão sem exigir resultados".

No Marrocos se multiplicam chamados para nova invasão

Os chamamentos para tentar uma nova invasão massiva em Ceuta e Melilha no próximo dia 15 continuam no Marrocos e coincidem com o forte desdobramento policial marroquino na fronteira com ambas as cidades espanholas, em um contexto pré-eleitoral e de crescentes críticas à gestão migratória do país.

Apesar de as convocações para organizar novas entradas massivas em Ceuta e Melilha no próximo sábado continuarem se multiplicando nas redes sociais, ainda não se registraram chegadas de migrantes no lado marroquino da fronteira com ambas as cidades autônomas.

Segundo o jornalista Ahmed Biyuzan, residente na cidade de Fnideq (Castillejos, próximo a Ceuta) e especializado há anos em questões migratórias, a localidade e os arredores de Ceuta continuam em calma após os acontecimentos registrados no final do mês passado.

Biyuzan acrescentou que as entradas e saídas de Ceuta a partir de território marroquino continuam com "a normalidade de sempre".

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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