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Tecnologia

A mão que embalança a IA

29/05/2026 13:45 3 min lectura 4 visualizações

A encíclica Magnifica humanitas, de León XIV, trata, conforme suas próprias expressões, sobre a custódia da pessoa em tempos da inteligência artificial (IA).

É notável o paralelismo, porque a frase «A mão que embalança o berço» provém de um poema de William Ross Wallace (1865) intitulado "O que governa o mundo", tal como se perfila hoje a nova revolução tecnológica global com a chegada da IA. Aquele poema exaltava o papel fundamental e a influência das mães no desenvolvimento de seus filhos; hoje podemos dizer que há uma necessidade de recuperar o sentido do essencialmente humano e custodiá-lo para enfrentar os desafios que a IA está colocando às pessoas de nosso tempo.

"A magnífica humanidade que Deus criou encontra-se hoje diante de uma escolha decisiva: levantar uma nova torre de Babel ou edificar a cidade onde Deus e a humanidade habitem juntos"
. Com estas palavras nos interpela a encíclica já em seu movimento inicial.

Não se trata de fugir da luta, nem de rejeitar os avanços tecnológicos, os quais também trarão benefícios, por exemplo, para a medicina. Trata-se da atitude e do caminho ético que tomaremos diante de uma nova engenharia social que afetará sobretudo aos vulneráveis, se não levarmos a sério nossa responsabilidade diante da IA.

Seremos arrastrados pela lógica do lucro a qualquer preço e pela deshumanização? Idolatraremos o novo brinquedo tecnológico do mundo com a promessa de "superar os limites" de nossa natureza e condição humana como pregoa o transhumanismo? Ou seremos capazes de reconstruir laços e fortalecer redes entre as pessoas reais, aceitando nossos limites e trabalhando pelo bem comum?

O Santo Padre reafirma que nossa convivência se assenta na dignidade da pessoa. Aborda os princípios do bem comum, da justiça, da subsidiariedade, da paz e da solidariedade, necessários na era digital para evitar monopólios de dados, vieses ideológicos e exclusões dolorosas dos algoritmos e seus desenvolvedores.

Não podemos render-nos diante de um paradigma tecnocrático que considere a eficiência e o controle como únicos critérios de valor, sem respeitar a liberdade pessoal. Ainda que a IA imite o homem, carece de consciência moral, alma e capacidade de amar, portanto, não pode substituir-nos.

É muito interessante como o Papa adverte sobre o enfraquecimento da democracia que a desinformação e o controle social dos algoritmos podem trazer. Também pede combater as novas escravidões digitais dos mais vulneráveis e ressalta o valor do trabalho humano para a dignificação e a civilização.

León XIV é crítico com o que chama de "cultura do poder" e pede desarmar as palavras e o uso da IA para não escalar nos conflitos bélicos e construir a paz.

Não temos espaço suficiente para analisar os 245 parágrafos da encíclica, mas é evidente que ela colocou o foco em um tema transcendente. Não pode deixar-nos indiferentes a mão que embalança a IA, já que esta geração e as futuras dependem em grande medida de nossa participação neste processo cultural e espiritual.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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