Terça, 12 de Maio de 2026
ÚLTIMA HORA
Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português
Internacional

A guerra e o bloqueio de Ormuz colocam em xeque o futuro dos petrodólares

12/05/2026 08:30 4 min lectura 12 visualizações
La guerra y el bloqueo de Ormuz ponen en el punto de mira el futuro de los petrodólares

As taxas de trânsito pela estratégica via — por onde passa um quinto do petróleo mundial — têm sido pagas em divisa, em criptomoeda e também em yuans chineses, uma moeda que pode ser conveniente para os países árabes ricos em petróleo e cujo principal cliente é, justamente, a China.

"O uso do yuan no Estreito de Ormuz apenas adiciona uma pressão incremental e normaliza alternativas nos fluxos energéticos. Os estados do Golfo parecem estar apostando na diversificação", explica à EFE o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da firma de investimento emiratense Noor Capital, Mohamed Hashad.

O resultado mais realista, segundo o analista, é "incremental, mais que transformador", já que o yuan é uma moeda que alcança relevância através de rotas comerciais específicas e "transações selecionadas".

A China é o maior importador mundial de petróleo e o principal comprador de petróleo iraniano, enquanto que cerca de 85% deste recurso e do gás natural liquefeito (GNL) que transitaram por Ormuz em 2024 se destinaram aos mercados asiáticos, de acordo com a Administração de Informações Energéticas dos Estados Unidos.

Diante dessa perspectiva, vários analistas consideram que os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) — composto por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Omã e Bahrein — buscam reduzir sua dependência do dólar, moeda em que se realizam 80% das transações petrolíferas mundiais.

Hashad aposta por "uma evolução lenta em direção a um sistema monetário mais multipolar ao longo de anos ou décadas, e não um deslocamento repentino do dólar", moeda em que o petróleo é comercializado desde que em 1974 a Arábia Saudita acordasse fixar o preço do barril naquela moeda em troca de apoio militar e econômico de Washington.

Pode lhe interessar: A trégua EUA-Irã está em suspenso e a guerra poderia ser retomada

O volume comercial entre o CCG e a China alcançou 300 bilhões de dólares anuais, 20% do comércio total dessa região, de acordo com dados fornecidos em janeiro pela aliança árabe.

Entretanto, segundo o sistema SWIFT, o dólar continua sendo a principal moeda de pagamento internacional (57,49%) frente ao yuan (2,16%), que se situa em sexto lugar, devido ao predomínio da divisa norte-americana no comércio mundial.

Diante disso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revelou no final de março uma tendência relativamente nova: que a proporção de tenências de dólares nas reservas mundiais está diminuindo gradualmente, enquanto as de yuans aumentam (1,95% no quarto trimestre de 2025 frente a 1,92% no anterior).

Para o analista, a justificativa econômica para um maior uso do yuan no CCG é "sólida", já que a China é o maior cliente de vários países petrolíferos do Golfo Pérsico e cerca de 45% de suas importações de petróleo e gás passam por Ormuz.

O yuan eliminaria a necessidade de usar o dólar como "intermediário" e abriria acesso a uma nova infraestrutura financeira como plataformas de dinheiro digital como mBridge.

Não obstante, também contempla desafios como o da paridade cambial, já que grande parte das moedas do Golfo Pérsico estão vinculadas ao dólar; o fato de acumular grandes excedentes em uma moeda com convertibilidade limitada; ou a pouca profundidade dos mercados de capitais chineses.

Em definitiva, para os países do Golfo não é tão fácil se livrar do dólar dadas as grandes reservas que mantêm naquela divisa e pela liquidez dos mercados financeiros dos EUA, que oferecem grandes oportunidades para converter os rendimentos petrolíferos em instrumentos como os títulos do Tesouro.

"Os países do Golfo, ao se afastarem deliberadamente do dólar...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.

Comentários (0)

Entre con Google para comentar.