A formalização laboral: chave para a dignidade e estabilidade econômica no Paraguai
A importância do trabalho formal
O trabalho remunerado constitui a principal fonte de rendimentos dos domicílios no Paraguai. Quando esse trabalho está formalizado, garante não apenas um rendimento econômico, mas também acesso a direitos fundamentais como aposentadoria, licenças parentais, tempo para férias, seguro médico e apoio econômico à criação dos filhos. Esses benefícios contribuem significativamente para a estabilidade econômica das famílias e melhoram suas condições creditícias para empreendimentos ou moradia própria.
O rendimento laboral formal é um dos principais determinantes para reduzir a pobreza e proporcionar autonomia econômica às pessoas. No caso das mulheres, representa a possibilidade de independência financeira e acesso a melhores condições de vida para suas famílias.
Realidade atual da formalização
Os dados evidenciam uma brecha significativa na cobertura de proteção laboral conforme o setor. Em 2025, o 81,4% dos servidores públicos contribuía a uma Caixa de Aposentadoria, enquanto no setor privado esse índice desce para 41,3% e no trabalho doméstico apenas alcança 4,9%. Os empregadores e trabalhadores por conta própria não contam com cobertura alguma.
Por setores econômicos, a indústria apresenta o maior nível de formalização com 35,2% de cobertura, seguida por comércio, restaurantes e hotéis com 23% e outros serviços com aproximadamente um terço. O setor da construção, apesar de receber importante apoio de investimento público, registra apenas 9,1% de formalização.
Impacto da informalidade
A informalidade laboral gera múltiplas consequências para os trabalhadores e suas famílias. A ausência de contribuição a aposentadoria implica a falta de um rendimento básico, estável e seguro na velhice. Essa realidade contribui para a migração interna e externa, com milhares de domicílios paraguaios que têm um de seus integrantes fora do país. As remessas se convertem então no mecanismo que garante uma mínima estabilidade econômica, ainda que ao custo do desenraizamento e da desintegração familiar.
Aproximadamente 41% dos domicílios paraguaios têm chefia feminina autodeclarada e econômica. Essa população é particularmente vulnerável devido à discriminação salarial contra as mulheres e a suas menores oportunidades econômicas, o que reforça a importância da formalização laboral como ferramenta para garantir direitos.
Causas estruturais da baixa formalização
A exclusão de uma população trabalhadora tão ampla responde a pelo menos três fatores estruturais: um crescimento econômico de baixa qualidade, um marco normativo historicamente centrado no trabalho com relação de dependência — que no Paraguai é minoritário — e o baixo apego à lei do setor empregador.
Apesar de a força laboral ser o motor do crescimento econômico — algo claramente demonstrado durante a pandemia — o trabalho recebeu escassa atenção por parte do Estado. Um marco normativo de seguridade social inadequado para as características do mercado laboral e um Ministério do Trabalho tardiamente criado, com orçamento limitado, são sinais do escasso valor que lhe foi outorgado.
Desafios e soluções
Fora dos percentuais de cobertura ficam os trabalhadores agrícolas e as mulheres fora da força laboral remunerada, quem apesar de suas contribuições imprescindíveis em alimentação, cuidados e trabalho doméstico, carecem de acesso a aposentadoria.
Um dos grandes desafios para o Paraguai é universalizar as aposentadorias. As soluções requerem reformas integrais em vários âmbitos: reformar o marco legal para incorporar todas as pessoas adultas independentemente de seu status laboral, garantir o cumprimento normativo eliminando as barreiras que enfrentam os trabalhadores informais para se formalizar, e fortalecer as instituições de seguridade social para que possam prestar serviços de qualidade.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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