A diplomacia presidencial: Um balanço
Sua diplomacia presidencial desenvolveu-se em um contexto internacional turbulento: a guerra entre Ucrânia e Rússia, o conflito Hamas–Israel, o genocídio em Gaza, a ascensão do sionismo mais extremo em Israel, o retorno de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos e agora a guerra no Golfo Pérsico.
Ainda nessas circunstâncias, o presidente optou por ampliar o arco de intervenções, calculando que nem a unilateralidade estadunidense nem o enfraquecimento da ordem internacional baseada em regras apresentavam riscos se mantidos compromissos firmes com Taiwan, Israel e o corolário trumpista da doutrina Monroe. Assim pois, somou-se de maneira entusiasta a iniciativas como a Junta da Paz e o Escudo das Américas. Também abraçou uma nova ordem de segurança hemisférica, apoiando a designação de cartéis como organizações terroristas e assinou o Special Operation Forces Agreement com os Estados Unidos.
O Governo combinou esse alinhamento mais político com uma linha mais pragmática e aberta orientada a atrair investimento estrangeiro direto e abrir mercados na Índia, Finlândia, Espanha, Japão, Filipinas e Emirados Árabes Unidos. Impulsionou, além disso, o acordo União Europeia–Mercosul e o tratado Mercosul–Singapura.
Em ambas as vertentes, o presidente justificou seus esforços argumentando que tudo aponta a atrair investimento estrangeiro direto (IED) e abrir novos mercados. Como respaldo, suas mensagens-chave giraram em torno da estabilidade macroeconômica, disciplina fiscal, um sistema tributário simples e a disponibilidade de energia hidrelétrica limpa. Somando-se a isto o logro do grau de investimento outorgados pela Moody's e Standard & Poor's.
Um indicador-chave para medir se essa política foi exitosa é o investimento estrangeiro direto. Infelizmente, a medição não é fácil de estabelecer e do que pudemos investigar o Banco Mundial, que utiliza os dados do BCP, mostra que o fluxo de IED (o indicador mais útil) cresceu entre 2020 e 2023 de 0,8% do PIB para 2,6%, para depois baixar levemente a 2,5% em 2024. Para avaliar o impacto real da diplomacia presidencial desde essa perspectiva será necessário observar os dados de 2025. O que sim se verificou foi a abertura de novos mercados e um maior fluxo de delegações empresariais interessadas em investir. Ainda não houve um salto quantitativo, embora tenha havido abertura de mercados e um crescente interesse em conhecer as oportunidades que oferece o Paraguai.
Este seria um bom momento para talvez dar maior apoio à linha pragmática e aberta e menos ao alinhamento geopolítico. Preocupa a ideia de que o Paraguai tenha se superexposto. O respaldo irrestrito a Israel – inclusive no contexto da crise humanitária e das acusações de genocídio em Gaza – e o compromisso explícito com o corolário Trump da doutrina Monroe levantam dúvidas sobre sua necessidade e conveniência. Uruguai não o fez e não se encontra em pior posição que Paraguai. Igualmente, a priorização poderia voltar aos temas concretos da sub-região. Paraguai, como país mediterrâneo, enfrenta restrições estruturais na Bacia do Prata que continuam sem resolução, tais como o conflito pela pedagiagem na hidrovia e a crucial renegociação do Anexo C de Itaipu ou a ponte da Bioceânica em Pozo Hondo. É necessário evitar enfocarem-se desmedidamente em cenários internacionais de alto perfil, quando os temas regionais continuem mostrando uma falta de avanços concretos ou de impacto notório.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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