Cuba acusa EUA de fabricar um "dossiê fraudulento" sobre drones para justificar ação militar na ilha
Ministro das Relações Exteriores cubano responde a relatório que aponta aquisição de 300 drones
O ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou que "sem desculpa legítima alguma, o governo dos EUA constrói, dia após dia, um dossiê fraudulento para justificar a guerra econômica implacável contra o povo cubano e a eventual agressão militar".
As declarações do funcionário cubano ocorreram após a publicação de um relatório que aponta que a ilha havia adquirido drones capazes de atacar a Flórida.
Bruno Rodríguez indicou que "Cuba não ameaça nem deseja a guerra", depois que o site de notícias estadunidense Axios informou, citando inteligência classificada, que Cuba atualmente possuía 300 drones e estava discutindo atacar objetivos estadunidenses próximos.
Cuba enfrenta uma crise de combustível, agravada por um bloqueio petroleiro estadunidense, enquanto está sob pressão do governo de Donald Trump para "chegar a um acordo".
O presidente estadunidense ameaçou o regime comunista cubano com uma intervenção similar à que terminou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro.
De acordo com o relatório de Axios, publicado no domingo, Cuba estaria considerando utilizar os drones para atacar a Baía de Guantânamo, a base militar estadunidense na ilha caribenha, bem como navios navais e possivelmente Key West na Flórida.
O relatório citou um funcionário estadunidense que afirmou que essa suposta informação de inteligência - que descreveu como um possível pretexto para uma intervenção militar estadunidense - também sugeriu que assessores militares iranianos estavam em Havana.
Os drones iranianos têm sido centrais na guerra tanto no Oriente Médio quanto na Ucrânia.
Ao condenar os Estados Unidos pela construção de um "dossiê fraudulento", Rodríguez indicou na rede social X que "meios de imprensa específicos lhe fazem jogo, promovendo calúnias e vazando insinuações do próprio governo estadunidense".
O ministro acrescentou que seu país "defende a paz e se dispõe e prepara para enfrentar a agressão externa em exercício do direito à legítima defesa que reconhece a Carta da ONU".
Havana leva vários meses conversando com os Estados Unidos para encontrar soluções às diferenças que existem entre ambos os países.
Um único envio russo de petróleo, ao qual foi permitido chegar à ilha, se esgotou no início deste mês.
Os cubanos estão sofrendo apagões contínuos que afetaram hospitais e estações de bombeamento, além de interromper o transporte público e a coleta de lixo.
Somado à escassez de alimentos e medicamentos, a situação provocou incomuns manifestações de dissidência pública contra o governo comunista.
Até pouco tempo atrás, Cuba havia sobrevivido às sanções graças à ajuda de aliados regionais, como o governo de Maduro, que se acredita havia enviado cerca de 35.000 barris de petróleo diários antes de sua captura pelas forças estadunidenses no início de janeiro.
Parece que o governo de Trump está intensificando sua campanha de pressão sobre a ilha.
Os voos de vigilância estadunidenses ao redor de Cuba aumentaram e há um desdobramento previsto de forças estadunidenses na região, informou o New York Times na sexta-feira.
O diretor da CIA, John Ratcliffe, havia exigido que Cuba "deixasse de ser um refúgio seguro para adversários no hemisfério ocidental" durante uma visita a Havana no dia anterior.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.