A demanda do Paraguai e da região impulsiona o milho a um novo ciclo de expansão
O crescimento de novas indústrias ligadas à produção animal e energética obrigará o Paraguai a aumentar significativamente sua produção de milho nos próximos anos, afirmou Carlos Sanabria, responsável da StoneX Paraguai, durante uma entrevista realizada na Expo Pioneros.
O analista explicou que o país passa por uma transformação estrutural impulsionada pela instalação de novas plantas de etanol, pelo avanço da produção suína, pelo crescimento da avicultura e pela expansão dos sistemas de confinamento, setores que demandam cada vez mais volume de grãos.
"O Paraguai está tendo mudanças muito positivas. Há novas indústrias de etanol, novas indústrias avícolas e suínas que estão se instalando, além de muito mais confinamento. O consumo está crescendo bastante", afirmou.
A essa realidade se soma o Brasil, que continua sendo um comprador constante de milho paraguaio e adquire anualmente entre 1,8 e 2,2 milhões de toneladas, além das exportações realizadas pelas multinacionais através da hidrovia.
Segundo Sanabria, quando se projeta o crescimento da demanda interna e se agregam os requisitos de exportação, surge um cenário que obriga a aumentar a produção nacional.
"Se somamos o consumo local futuro, as destilarias funcionando a plena capacidade, as indústrias suínas, avícolas, os confinamentos, Brasil e as exportações por rio, a conta não fecha. Vamos precisar de mais milho", assegurou.
O especialista sustentou que, diante desse cenário, o mercado terá dois caminhos possíveis: uma forte valorização do cereal ou uma expansão significativa da superfície cultivada. "Ou o preço dispara ou começamos a incrementar áreas, porque efetivamente vai ser necessário mais milho", enfatizou.
Atualmente o Paraguai mantém uma superfície relativamente estável de entre 850.000 e 920.000 hectares de milho safra de inverno a cada ano. Porém, aumentar essa área não será uma tarefa simples devido às diferenças climáticas e produtivas que existem entre as distintas regiões agrícolas do país.
Sanabria explicou que os ciclos de plantio e colheita da soja condicionam diretamente as possibilidades de expansão do milho, especialmente na safra de inverno. "Não é tão fácil porque temos distintos ciclos e distintos momentos de plantio conforme cada departamento. Nem todos os produtores podem entrar no mesmo esquema produtivo", indicou.
Apesar dessas limitações, considerou que a tendência é clara e que o país deverá encontrar mecanismos para incrementar a oferta do cereal se pretende acompanhar o crescimento das novas cadeias agroindustriais.
Para o executivo da StoneX, o futuro do milho estará cada vez mais ligado ao desenvolvimento industrial do Paraguai e à necessidade de abastecer uma demanda que mostra sinais de expansão sustentada tanto no mercado interno quanto nos destinos regionais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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