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Paraguai

A demanda cresce, mas o milho chaquenho continua condicionado por frete e produtividade

22/09/2026 04:45 3 min lectura 20 visualizações

A intensificação da pecuária e uma maior necessidade de converter grãos em quilos de carne podem gerar uma demanda crescente de milho no Paraguai, mas essa situação não necessariamente se traduz em um negócio atrativo para os agricultores do Chaco.

Marcos Kain, diretor da SGA, explicou em Valor Agro que existe atualmente uma equação muito favorável para os produtores que integram agricultura e pecuária, embora a realidade mude de forma importante quando se analisa quem produz milho exclusivamente para vendê-lo como grão.

"O que tem pecuária, sem lugar a dúvidas, está em um momento espetacular para converter esse milho em quilos de carne", afirmou.

Kain colocou como exemplo uma relação próxima a US$ 140 por tonelada de milho frente a valores do gado gordo da ordem de US$ 5,20 a US$ 5,30 por quilo. Nesse cenário, o uso do grão permite acelerar processos de recria, engorde e terminação, algo especialmente relevante em um momento de menor oferta pecuária e maior necessidade de intensificar a produção.

Porém, para o produtor agrícola chaquenho a equação é diferente. Segundo Kain, a SGA fechou a última campanha de milho com um quebranto próximo a US$ 72 por hectare. "Vendendo milho a US$ 140, com grão úmido de aproximadamente 30% a 32% de umidade, para nós foi quebranto", assinalou.

O principal desafio está em alcançar rendimentos suficientes para cobrir os custos. Kain explicou que os pontos de equilíbrio do cultivo se situam aproximadamente entre 3.600 e 4.500 quilos por hectare, níveis que nem sempre são possíveis de sustentar nas condições produtivas do Chaco.

Essa dificuldade vem modificando a estrutura agrícola da região. Segundo dados que mencionou o empresário a partir de medições da APACS, há cinco anos o milho e o sorgo representavam em conjunto cerca de 35% da superfície agrícola, enquanto que atualmente não chegam a 20%. Grande parte dessa superfície migrou para a soja.

À limitante produtiva se soma o peso da logística. Enquanto que na Região Oriental o custo de frete pode se situar aproximadamente entre US$ 15 e US$ 22 por tonelada, trasladar milho desde o Chaco em direção a Assunção ou outros centros industriais pode representar entre US$ 55 e US$ 60.

Além disso, a Região Oriental conta com uma rede de comercialização mais ampla, com indústrias, plantas de álcool, produção avícola, confinamentos e outros compradores. No Chaco, em contrapartida, a principal alternativa para capturar valor é transformar o milho diretamente em carne.

"No Chaco é somente passar esse milho a quilo de carne", resumiu Kain.

Por isso, embora o crescimento dos confinamentos e a intensificação pecuária possam incrementar a demanda de grãos, desde a SGA entendem que o milho continuará tendo dificuldades para competir economicamente com a soja dentro de um planejamento exclusivamente agrícola.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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