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Esportes

A Copa do Mundo 2026 mudou o conceito do futebol

21/07/2026 14:15 4 min lectura 9 visualizações

A Copa do Mundo norte-americana, a primeira a ser disputada em três países (Estados Unidos, México e Canadá), com 48 seleções e 104 partidas no total, coroou o jogo coletivo da Espanha e mudou o conceito do futebol e da própria Copa do Mundo.

Nada voltará a ser igual após esta Copa do Mundo, que incorporou inovações arbitrais, vivenciou com sucesso a paixão das torcidas – com estádios repletos e nenhum incidente de relevância entre afições – e se aproximou perigosamente do conceito de espetáculo que têm nos EUA.

Foi a Copa do Mundo de Luis de la Fuente, de seu plano para que a Espanha chegasse em sua melhor forma ao instante decisivo, e de um grupo de jogadores que acataram seu papel em todo momento, já que lhes foi indiferente se fossem estrelas como Lamine Yamal, ou eixos do jogo, como Pedri, suplente nos últimos três partidos.

Neste sentido, a Roja venceu com um gol na prorrogação de outro suplente, Ferrán Torres, que entra na história assim como Andrés Iniesta o fez dezesseis anos antes, e deixou sem o título a Leo Messi, que depois de brilhar durante todo o torneio assinou seu jogo mais fraco na definição da Copa.

Velha guarda. Messi não superou Maradona, nem conquistou a Bola de Ouro nem foi o artilheiro histórico, porque Kylian Mbappé aproveitou o jogo pelo terceiro lugar para superá-lo com 10 gols na Copa do Mundo e 22 no total (por 8 e 21 do argentino), mas foi o grande animador. Com 39 anos, não veio à Copa do Mundo para se despedir, mas para liderar um time aguerrido que se recusou a se render até a final e protagonizou remontadas heroicas.

Junto a Messi se despediram Cristiano Ronaldo e Luka Modric, a velha guarda que ainda mantinha a essência de um futebol de outra época, em que a tecnologia não ditava o sentido do jogo.

Tudo mudou. A Copa do Mundo norte-americana incorporou acertadamente normas para acabar com as perdas de tempo em lesões e substituições e expôs situações novas, como as expulsões por tapar a boca (que sofreram o paraguaio Miguel Almirón e o equatoriano Piero Hincapié) ou por identidade corrigida, após mudar uma advertência ao argentino Leandro Paredes pela segunda cartão do belga Breel Embolo.

Também equipou os árbitros com câmeras, cuja aparência os assemelhava a Robocop. Tudo por um sentido de espetáculo que terminou invadindo tudo.

Polêmicas. Foi também a Copa do Mundo das pausas de hidratação, assobiadas em todos os campos desde o momento em que se comprovou que, além de preservar a saúde dos jogadores, oferecia espaços publicitários extraordinariamente bem remunerados, e a de Folarin Balogun, ao qual levantaram a suspensão automática após a intervenção de Donald Trump.

O presidente estadunidense, que não compareceu a nenhum estádio até a final, ganhou protagonismo com suas declarações, esteve na cerimônia de premiação e, inclusive, tentou sem êxito de aparecer na foto dos campeões.

O futebol foi vivenciado com a paixão esperada no México, protagonista destacado na primeira metade, abriu caminho no Canadá, graças ao bom desempenho de sua seleção, e aumentou sua cota de mercado nos Estados Unidos, em sua tentativa de se aproximar aos quatro grandes (NFL, NBA, MLB e NHL), mas também se contaminou perigosamente de seus modos. As pausas convertidas em tempos mortos, o espetáculo no intervalo da final ou os anéis de luxo que serão entregues aos campeões, não se adequam à tradição e dificilmente terão continuidade.

Recorde de espectadores. A FIFA, e sobretudo seu presidente Gianni Infantino, pode se orgulhar do êxito. Bateu-se de largo o recorde de assistência (mais de seis milhões e meio de espectadores).

A ampliação ofereceu oportunidades a modestas seleções que não destoaram, como os casos dos africanos de Cabo Verde ou Congo, e houve partidas espetaculares, coroando a competição por umas semifinais que reuniram os quatro primeiros do ranking.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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