Sexta, 21 de Agosto de 2026
ÚLTIMA HORA
Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português
Economia

A armadilha do recorde nominal

21/08/2026 10:45 3 min lectura 12 visualizações

Os aniversários institucionais são terreno fértil para números redondos. A DNIT destaca uns USD 1.500 milhões adicionais de arrecadação desde sua criação. A cifra impressiona, mas surge de somar diferenças nominais de vários exercícios e não permite saber quanto provém realmente de uma melhor administração tributária.

A Lei 6380 foi promulgada em 2019 para modernizar o sistema tributário e elevar uma pressão tributária que rondava 10% do PIB. Sua maturação ficou atravessada pela pandemia e uma recuperação irregular. Desde 2023, em contrapartida, o Paraguai entrou em um ciclo mais favorável. Com uma economia que cresce, mais vendas, lucros e importações produzem mais impostos ainda sem melhorar a eficiência arrecadatória.

Além disso, vários instrumentos cujos frutos hoje colhe a DNIT são anteriores a ela. O SIFEN foi criado em 2017, seu plano piloto começou em 2018 e a adesão voluntária em 2019. Depois vieram a massificação da fatura eletrônica, e-Kuatia e, já sob a DNIT, a integração institucional e a gestão de riscos. A melhoria existe, mas não começou em agosto de 2023.

Aqui aparece o problema: todos esses esforços parecem conduzir ao mesmo teto. A reforma de 2019 apontava para aproximar a pressão tributária a 12% do PIB. Os programas posteriores também perseguem esse nível, segundo os próprios relatórios da DNIT. Se todas essas reformas prometem ganhos, quanto espaço resta? Ou a estrutura atual já chegou a seu limite, como advertiu Benigno López?

A evidência internacional dá uma pista. O FMI documentou recentemente quinze anos de reforma da administração tributária na Grécia. Lá houve autonomia institucional, unidades especializadas, gestão de riscos, faturação eletrônica, cruzamento de dados, PDVs conectados e fiscalização quase em tempo real. A brecha de cumprimento do IVA caiu de 30% para 9%. Mas a Grécia não se limitou a melhorar a administração, também ampliou bases, reduziu isenções e elevou o IVA de 19% para 24%.

Esse detalhe importa para o Paraguai, país catalogado de renda média alta desde 2015. À medida que as economias avançam, aumentam as demandas por saúde, educação, infraestrutura e proteção social. E, embora não seja automático, o gasto público tende a crescer com a renda e, com ele, a pressão sobre o fisco.

É perfeitamente possível arrecadar USD 600 ou 800 milhões a mais em alguns anos, como apontou dias atrás o diretor da DNIT, Óscar Orué. Com crescimento real, inflação e um ciclo favorável, uma parte importante chegará por simples inércia. O relevante é quanto aumenta a arrecadação em relação ao PIB e quanto desse aumento provém de fechar brechas de cumprimento.

Formalizar mais e combater a evasão continua sendo indispensável. Mas não substitui a discussão sobre bases, isenções e desenho dos impostos. O próprio FMI adverte que, esgotados os ganhos de eficiência, o Paraguai deverá revisar seus regimes tributários.

Arrecadar mais não é somar milhões a uma cifra antiga. É conseguir que o Estado capture de maneira sustentável uma maior parte de uma economia que também cresce. Se a pressão tributária não sobe, os récords nominais podem repetir-se ano após ano, mas a restrição estrutural de receitas persistirá.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.

Comentários (0)

Entre con Google para comentar.