A 14 anos da destituição de Lugo, a oposição busca se reagrupar para 2028
Um marco histórico na política paraguaia
Completam-se 14 anos do julgamento político que resultou na destituição de Fernando Lugo mediante um acordo entre colorados e liberais. Às vésperas das eleições de 2028, a oposição se depara com o desafio de chegar unida para tentar retomar o poder e superar as divisões do passado.
Fernando Lugo chegou à Presidência da República em 2008, marcando a primeira alternância política em mais de 60 anos de hegemonia do Partido Colorado. Seu governo representou uma ruptura histórica na política nacional, mas sua gestão seria interrompida apenas quatro anos depois.
Os detalhes do julgamento político de 2012
Em 22 de junho de 2012, às 16h30, o presidente e líder da concertação Frente Guasu foi destituído após um processo acelerado na Câmara de Senadores. A acusação se baseou em mau desempenho de funções, tendo como referência o Caso Curuguaty, uma operação policial que resultou na morte de seis policiais e 11 camponeses.
Lugo contou com pouco tempo para preparar e apresentar suas alegações de defesa. A Aliança Patriótica para a Mudança se fraturou com os votos de efrainistas e llanistas que apoiaram a expulsão. O vice-presidente Federico Franco assumiu a presidência e incorporou dirigentes do PLRA em cargos de decisão.
Posteriormente, em janeiro de 2013, Lugo recorreu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que admitiu estudar o caso, embora até o momento não se tenha pronunciado a respeito.
A trajetória posterior de Lugo
Sua carreira política continuou após deixar a presidência. Foi eleito senador para os períodos 2013-2018 e 2018-2023. Em 2022 sofreu um acidente cerebrovascular que o manteve afastado do Congresso durante vários meses.
Análise e reflexão desde a oposição
O ex-senador Hugo Richer, uma das figuras que liderou o Frente Guasu, realiza uma autocrítica sobre o ocorrido 14 anos atrás. Segundo sua perspectiva, a oposição não conseguiu encerrar as feridas do erro cometido em 2012.
"Creio que o problema da oposição — com vistas para 2028 — não conseguiu encerrar o erro de 2012 quando o julgamento político de Fernando Lugo. Esse erro, já sabemos, abriu as portas ao cartismo, que construiu o cooptamento que hoje em dia se denuncia".
Richer identifica improvisação no projeto opositor para 2028, questionando particularmente a escolha de candidatos baseada em pesquisas. Enfatiza que em 2006-2008, antes da vitória eleitoral, houve uma longa construção política que incluiu discussão programática e acordos prévios.
Para o ex-senador, a construção de acordos deve preceder à escolha das candidaturas, não o contrário. Adverte que isso gera maior confiança na cidadania.
"Há candidatos e candidatas, mas a construção em função de uma relação com a sociedade, aí há um problema de confiança, de comunicação e creio que isso somente se pode resolver primeiro a partir de acordos políticos de o que queremos fazer no Governo", expressou.
Perspectivas para 2028
Desde a oposição se posicionam Ricardo Estigarribia (Novo Liberalismo) e Miguel Prieto (Eu Creio) para enfrentar a continuidade do Partido Colorado, que apresenta como pré-candidatos a Pedro Alliana (Honor Colorado) e Arnoldo Wiens (Colorado Añetete).
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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