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Paraguai

Virada extrativista de Peña alerta organizações que cuidam do Chaco

Governo planeja exploração de gás, lítio e urânio; ambientalistas e indígenas alertam para riscos

04/08/2026 02:00 4 min lectura 4 visualizações

O impulso do Executivo para explorar o subsolo chaqueño em busca de gás, lítio e urânio, somado a reformas legislativas e um plano estratégico impulsionado desde o Senado, acende os alarmes de ambientalistas e comunidades indígenas, que advertem sobre os riscos de erosão, violações de direitos e a ruptura de compromissos ambientais internacionais.

O presidente Santiago Peña terá que enfrentar uma nova confrontação com as organizações da sociedade civil, desta vez, pela defesa do Chaco, que está na mira tanto de empresas privadas locais quanto internacionais.

Aposta no subsolo. O modelo que promove Santiago Peña é claro. O governo começou a marcar uma virada conceitual e econômica no design de desenvolvimento do país. O presidente sustentou que historicamente a produção paraguaia se baseou exclusivamente em recursos sobre a superfície, como a pecuária e a agricultura, mas afirmou que o futuro estará determinado pelo acesso aos minerais e recursos ocultos sob o solo.

O roteiro colocado pelo Executivo abrange projetos de prospecção de lítio, urânio e gás natural. O mandatário comparou a visão do país com as trajetórias do Chile na mineração do cobre e da Bolívia na busca de hidrocarbonetos, e assinalou que o Paraguai deve entender o verdadeiro potencial de seu subsolo.

Respeito ao urânio, Peña precisou que uma empresa estadunidense já possui direitos de exploração (possivelmente Uranium Energy Corp) e qualificou a eventual extração deste mineral como simples e pouco nociva para o meio ambiente, inclusive projetou o desenvolvimento de centrais nucleares de uso civil.

Para o Chaco em particular, o plano oficial contempla a prospecção intensiva de gás e a consolidação de um gasoduto regional através do Corredor Bioceânico que conecte as reservas de Vaca Muerta, Argentina, com o mercado do Brasil, além de uma ponte que conectará Pozo Hondo com Misión La Paz, que será financiada pelo Estado.

Contudo, para executar este plano, o presidente enfatizou a necessidade de promulgar novas leis, e questionou os marcos regulatórios atuais por considerar que no passado foram aprovadas normativas redatadas para não fazer nada. Neste ponto, o governo de Peña avista uma nova confrontação com as organizações, que se opõem à mudança da lei.

Reestruturação e projeto Leite. A virada extrativista se complementa com propostas de reestruturação do aparato estatal. O mandatário colocou a necessidade de otorgar maior visibilidade ao atual Viceministério de Minas e Energia, hoje dependente de Obras Públicas, para transladá-lo ao Ministério da Indústria e Comércio ou transformá-lo eventualmente em um Ministério de Minas e Energia, com status de política de Estado.

A este impulso se soma a proposta do senador cartista Gustavo Leite através de seu plano de reformas. Entre as dez medidas colocadas pelo legislador, se propõe declarar de interesse estratégico a exploração intensiva do gás do Chaco mediante investimentos 100% privados e esquemas de associação (farm-out) com Petropar. A iniciativa contempla também a criação de uma lei única para grandes projetos energéticos e medidas destinadas a desafetar as organizações não governamentais (ONG) da governança do Estado, com o que restringe sua incidência nos processos de emissão de licenças ambientais geridos pelo Ministério do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Mades).

A intensificação do discurso extrativista reavivou de imediato o incômodo e a resistência das organizações da sociedade civil, ambientalistas e indígenas, cenário similar ao desatado durante os intentos prévios de modificar a proteção de áreas selvagens.

A organização Iniciativa Amotocodie denunciou que a ambição extrativista de Peña ameaça a integridade do Chaco. Advertiu que habilitar atividades extrativas no território chaqueño implicaria em riscos de erosão e contaminação do solo, além de afastar populações indígenas de seus territórios ancestrais e ameaçar seus direitos fundamentais.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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