Villarrica: O calvário de uma mulher vítima da negligência no sistema de saúde do IPS
Apesar de acorrer incansavelmente ao serviço de urgências, a peregrinação da paciente foi ignorada sistematicamente. Enviaram-na para sua casa com a incisão abdominal fechada, mas que pouco tempo depois se abriu. Sem um diagnóstico claro, atravessou um sofrimento que se estendeu durante um ano e meio.
A situação alcançou níveis críticos quando a ferida, na altura do abdômen, começou a abrir-se repetidamente, deixando-a vulnerável.
A paciente foi internada durante 17 dias no Hospital Nacional de Itauguá, onde, após receber apenas curações básicas, as autoridades pretenderam encaminhá-la novamente para sua localidade de origem.
Consciente de que sua vida pendia de um fio, a mulher recusou-se a abandonar o centro assistencial, exigindo uma resposta resolutiva ante as negativas, após a intervenção inicial no Instituto de Previsão Social (IPS) local.
Enquanto isso, o ponto de inflexão ocorreu graças à intervenção do programa Justicia Móvil, do Ministério da Justiça, que chegou até sua comunidade. Ali, a mulher conseguiu contatar com uma advogada, que realizou gestões diretas ante a direção do centro médico.
Esta mediação legal permitiu finalmente seu traslado ao Hospital Ingavi do IPS, em Fernando de la Mora, onde uma equipe de especialistas realizou uma reconstrução complexa de seu abdômen.
Ela relata que passou mais de um ano "entregue à sua própria sorte", sendo vítima do abandono institucional e do medo de denunciar formalmente, devido à impunidade que, segundo denuncia, costuma rodear os setores mais humildes.
A tragédia foi maior quando, enquanto permanecia hospitalizada, a mulher perdeu a totalidade de sua moradia em um incêndio voraz. Esta desgraça, somada a uma crise econômica e a um quadro de depressão grave derivado do trauma, a deixou à beira do abismo.
A paciente aponta diretamente o cirurgião, de sobrenome Velázquez, pela presumida má prática no procedimento inicial e lamenta profundamente a ausência de protocolos de encaminhamento oportuno, que teriam evitado a deterioração irreversível de sua saúde.
"Peço que isto não aconteça com outra pessoa. Se a cirurgia não podia ser feita aqui, teriam me enviado rapidamente para outro lugar", expressou com impotência a mulher.
Para a afetada, a falta de capacidade resolutiva após a cirurgia nos hospitais locais lhe custou meses de angústia física e a obrigou a conviver com o medo constante da morte. Seu testemunho busca visibilizar as deficiências do sistema sanitário e prevenir que outros pacientes atravessem pelo desamparo e pela dor.
Atualmente, um mês após ter sido operada com sucesso, a paciente segue seu tratamento no IPS de Villarrica.
Embora o caminho em direção à recuperação física seja ainda longo, manifesta um profundo alívio ao ver seu abdômen finalmente fechado, deixando para trás meses de incerteza.
Ante sua situação econômica crítica e a necessidade imperiosa de seguir adiante, a mulher disponibiliza seu número de telefone, (0983) 765-546, para toda pessoa, entidade ou organização que deseje oferecer algum tipo de ajuda solidária neste difícil processo de reconstrução de sua vida e de sua saúde.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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