Víctor Tonelli: "Estados Unidos vai crescer no mínimo 500 mil toneladas em importação de carne"
O analista e consultor argentino Víctor Tonelli afirmou que o mercado internacional de carne continuará oferecendo oportunidades para os países exportadores durante o segundo semestre do ano, impulsionado por uma demanda firme, uma oferta global mais ajustada e uma crescente necessidade de importação por parte dos Estados Unidos.
Em diálogo com Valor Agro, Tonelli sustentou que o cenário internacional continua mostrando sinais positivos para os fornecedores sul-americanos, especialmente em um contexto onde vários países entraram em processos de retenção de matrizes e recomposição de estoques.
"Todos os países entraram em ciclos de retenção. Isso implica menos oferta disponível para o mercado em um ambiente onde a demanda não diminui. Hoje continuamos vendo um apetite voraz por carne bovina e isso sustenta preços firmes não somente para o semestre que vem, mas para os anos que vêm", afirmou.
Um dos pontos centrais da análise do consultor argentino passa pela situação dos Estados Unidos, país que atravessa uma das menores disponibilidades de gado das últimas décadas e que continua aumentando suas necessidades de abastecimento externo.
"Estados Unidos vai crescer, piso, 500 mil toneladas em relação ao ano passado em importação. Inclusive podem ser mais", garantiu.
Segundo Tonelli, a incerteza gerada pela eventual eliminação temporária de tarifas sobre as importações de carne provocou certa cautela nos negócios, mas entende que essa situação não deveria alterar a tendência de fundo.
"O que hoje é dúvida amanhã se transforma em oportunidade. Não tenho medo de que Brasil tente inundar pagando 26,4% de tarifa para ingressar nos Estados Unidos. Vai haver muitas oportunidades", sinalizou.
Brasil e China: uma oportunidade para outros exportadores
Tonelli também destacou que tanto Austrália quanto Brasil encontram-se avançados no cumprimento de suas cotas de exportação para a China, situação que poderia abrir espaços comerciais para outros fornecedores.
"Austrália já anunciou que cumpriu 90% de sua cota para a China e Brasil também vem muito avançado. Isso gera uma oportunidade espetacular para países como Uruguai, Argentina ou Nova Zelândia", indicou.
No caso paraguaio, considerou que o mercado estadunidense continuará oferecendo boas perspectivas, ainda que Brasil deva redireccionar parte dos volumes que não consiga colocar na China.
"Paraguai pode trabalhar com tranquilidade nos Estados Unidos. Não vejo grandes conflitos no mercado. Vejo um mercado que vai seguir com voracidade e bons preços, embora alguns jogadores mudem destinos", sustentou.
O especialista também ressaltou a entrada em vigor do novo esquema para a Cota Hilton, que elimina a tarifa de 20% que anteriormente gravava esses embarques.
"Os valores estão entre 19 mil e 20 mil dólares por tonelada e agora existe um prêmio adicional para esses volumes", finalizou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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