Vereadores questionam empréstimo e balanço 2025 "maquiado" de Nenecho e Bello
Vereadores da oposição questionaram a viabilidade de solicitar um empréstimo internacional nas condições financeiras em que se encontra atualmente a Prefeitura de Assunção.
Sinalizaram que a administração de Luis Bello carece de respaldo para obter um empréstimo dessas características. Além disso, informaram que o descargo sobre o balanço 2025, com o qual se justificou a aprovação, é um "relato infantil" que não reflete a realidade financeira.
"É uma loucura pensar que se pode chegar a solicitar um empréstimo a um organismo internacional por uma Prefeitura que está totalmente falida, que ocultou dados, que foi intervenida, onde os balanços estão maquiados", garantiu em uma entrevista o vereador Álvaro Grau, consultado sobre a recomendação do empréstimo que se incluiu no parecer da aprovação do balanço 2025.
Tal crédito foi justificado pelo vereador Miguel Sosa, presidente da Comissão de Finanças, como uma ferramenta para enfrentar a dívida de bônus e a execução de obras. Sosa disse a Última Hora que se prevê um empréstimo de até USD 300 milhões com um banco internacional, que permitiria ao Município pagar juros baixos a longo prazo.
Consultado sobre a viabilidade do crédito, o vereador Félix Ayala respondeu que "isso faz parte da campanha de Camilo Pérez, quem disse que ele vai conseguir" um empréstimo internacional. "Os organismos internacionais não concedem empréstimos aos governos locais. Para que lhe concedam isso, o governo central tem que autorizar. (...) É mais uma mentira na qual entrou Camilo e não sabe como sair, então eles (os vereadores colorados que aprovaram o balanço) também têm que acompanhar", garantiu Ayala.
O vereador Humberto Blasco, por sua vez, afirmou ter lido o descargo da Prefeitura com respeito às observações do balanço no momento de sua rejeição. Qualificou-o como "um relato infantil escrito por um aluno de escola primária" e garantiu que "não contribui absolutamente nada novo com relação à análise que tínhamos feito em primeira instância, apenas se desobriga da responsabilidade da gestão empreendida por Nenecho Rodríguez".
Na opinião do vereador, o que o descargo comunica é que a gestão municipal segue por um bom caminho após a posse de Luis Bello.
Segundo Blasco, a Prefeitura sustenta além disso que o último quadrimestre de 2025 "foi uma maravilha" e que o exercício se fechou com superávit, "quando a todas as luzes estão registradas as dívidas não pagas". Aludiu assim a uma dívida de mais de G. 875 mil milhões por juros, registrados no passivo do balanço.
"Se incluíssemos todas as dívidas vencidas, o que eles fazem figurar como ganho, G. 100 mil milhões, vai se dissolver, vai ficar dívida pendente", referiu Blasco.
O vereador fez ênfase em que o superávit não se sustenta como tal se se tem em conta que se recorreu a um empréstimo em dezembro. Garantiu que este detalhe "revela que é um balanço maquiado".
Última Hora tentou comunicar-se com um porta-voz designado pelo prefeito para responder sobre a aprovação do balanço 2025, mas este não respondeu as mensagens nem as chamadas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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