Venezuela: operação militar antimáfias deixa vilas e minas fantasmas
Exército se desplegou na semana passada contra grupos criminais que controlam a região mineradora do Arco Minero
Uma escola vazia com cadernos ainda abertos sobre as mesas, um bar deserto com sua mesa de bilhar e minas artesanais a céu aberto sem atividade. Uma grande operação militar no sul da Venezuela contra grupos criminais deixa vilas e minas fantasmas de onde todos fogem. Venezuela, com as maiores reservas de petróleo do mundo, dispõe também de ouro, diamantes, bauxita, coltã e terras raras, especialmente em um território batizado como o Arco Minero, controlado em grande parte por bandas armadas ou guerrilhas.
O exército se desplegou na semana passada ao redor de Las Claritas, em uma zona de exploração aurífera do estado de Bolívar (sudeste) nas mãos de dois chefes mediáticos, Juancho e Johan Petrica, este último um dos fundadores da temível gangue venezuelana Tren de Aragua, segundo fontes locais. Na quinta-feira da semana passada, jornalistas da AFP viram ali uma dezena de veículos militares e agentes armados com metralhadoras e armas automáticas. Havia também veículos do Sebin (serviço de inteligência).
Apenas um dia depois, o presidente estadunidense Donald Trump anunciou a morte de Niño Guerrero, chefe do Tren de Aragua, em uma operação militar realizada em coordenação com a Venezuela no estado de Bolívar, sem precisar o local exato. A operação ocorre cinco meses após a captura de Nicolás Maduro e poucas semanas após a aprovação, sob pressão dos Estados Unidos, de uma nova lei de mineração destinada a atrair investidores privados e, sobretudo, estrangeiros.
Na segunda-feira "vinha caminhando por aqui e passou um grilo assoviando pelas minhas orelhas e quando ouvi pensei que eram os ninjas", brinca José Guzmán, mineiro artesanal de 68 anos, que continua trabalhando para se pagar "um prato de espaguete e mortadela" ao dia.
"Disse à galera que estão nos atacando e houve uma explosão e depois em pouco tempo, como em dois segundos, foram mais duas", relata.
Segundo cerca de dez testemunhas entrevistadas pela AFP, o exército lançou três bombas de helicópteros. Dois helicópteros voavam em baixa altitude naquele dia.
ONGs venezuelanas denunciam confrontos. As autoridades, e em particular a presidenta interina Delcy Rodríguez, no cargo desde a captura de Maduro em janeiro, guardam silêncio sobre a operação.
"Espero que não voltem"
Muitos trabalhadores saúdam a ação militar. "Não imaginam o maltrato (infligido pelos caras) à população. Era um regime de terror. Tinhas que pagar e pagar uma e outra vez. Os que não pagavam, era 'fora!' ou pior", diz um mineiro artesanal sob condição de anonimato. "Havia criminosos armados em todos os lugares. Espero que o exército faça operações em terra e ¡Bam-Bam!", acrescenta.
Um mototaxista que transporta material para um mineiro afirma que seu uniforme de trabalho tinha que pagar aos mafiosos 200 dólares. "Tínhamos que pagar um grama de ouro (120 dólares) cada semana. Quando pagas tanto, nunca descansas. Espero que não voltem para que possamos viver com dignidade. É tudo o que pedimos", confia.
Em Brisas de Cuyuní, uma área com quilômetros e quilômetros de minas, não se respira riqueza. Em uma zona desmatada, a pista de terra serpenteia entre os acampamentos. Há casas de madeira cobertas com plásticos e também balsas onde os mineiros tiram a lama com longas mangueiras.
A lama se mistura com detergente em pó e depois desce por uns tobogãs cobertos de tapetes que absorvem o mineral e que serão "lavados" com água e mercúrio para extrair o ouro.
Os tobogãs, às vezes imensos, dão a impressão de que começou a construção de dezenas de pontes sobre lagos.
Com a intervenção do exército, "isto praticamente está abandonado", afirma Antonio Figuera, de 47 anos, mineiro artesanal enquanto varre um antigo café. É "praticamente uma vila fantasma".
O lugar estava cheio de pequenos comércios. Após o despregamento...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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