Venezuela: geologia e atividade sísmica em uma região de alto risco
Localização geológica e atividade sísmica
Venezuela localiza-se próxima ao limite de duas placas tectônicas: a Placa do Caribe e a Placa Sul-americana. O deslocamento contínuo dessas placas, que ocorre a um ritmo de aproximadamente 2 centímetros anuais, explica a propensão do país a experimentar movimentos sísmicos de grande magnitude.
Segundo especialistas em geologia, ambas as placas tectônicas tentam deslocar-se uma sobre a outra e, às vezes, ficam presas acumulando energia. Quando finalmente conseguem mover-se novamente, libera-se uma quantidade considerável de energia, gerando terremotos de intensidade considerável.
Sistema de falhas tectônicas
O movimento das placas ao longo de milênios originou um sistema de falhas cuja confluência no norte da Venezuela incrementa a probabilidade de sismos de grande magnitude.
Este sistema é composto por três falhas principais:
A falha de Boconó: Estende-se desde o estado Táchira até o Caribe.
A falha de El Pilar: Atravessa principalmente o estado nororiental de Sucre.
A falha de San Sebastián: Percorre o mar próximo à Cordilheira da Costa venezuelana, discorrendo quase em paralelo a poucos quilômetros do litoral central. Sua distância de Caracas é de apenas 30 quilômetros, o que gera tremores frequentes na capital.
A alta concentração de falhas contribui significativamente para a elevada sismicidade do território venezuelano, especialmente na região norte do país.
Frequência de movimentos sísmicos
Na região andina de Mérida, a Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas (Funvisis) detecta regularmente dezenas de pequenos sismos cada dia. Esta entidade contabilizou 131 episódios sísmicos de consideração entre 1530 e 2004, embora os registros indiquem que a cifra real é presumivelmente maior, dado que até o início do século XXI a rede de estações de medição era significativamente inferior à atual.
De acordo com registros de Funvisis, durante 2024 haviam sido registrados 1.274 tremores até 25 de junho, alguns dos quais localizavam-se no leste da Colômbia.
Antecedentes históricos
Venezuela experimentou grandes terremotos ao longo de sua história.
O terremoto que sacudiu Caracas e o litoral central em 29 de julho de 1967 deixou aproximadamente 245 mortos e milhares de feridos, segundo reportes de Funvisis. Este evento obrigou a repensar e atualizar as normativas de construção em uma capital que experimentava um crescimento acelerado.
Décadas antes, em 17 de janeiro de 1929, um sismo de magnitude 6,9 provocou um tsunami e destruiu a cidade de Cumaná, no estado Sucre, causando centenas de vítimas fatais.
Contexto atual
Estes antecedentes históricos demonstram que a atividade sísmica é uma característica geológica recorrente na Venezuela, gerada por sua localização em uma zona tectonicamente ativa do continente sul-americano.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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