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Va com onda — Que você faz?

Uma jornalista se infiltra em órgãos públicos e expõe a realidade da burocracia estatal paraguaia

10/05/2026 08:00 4 min lectura 0 visualizações

Atragantamentos, sofocões e bronca. As reações e respostas nos disseram (e confirmaram) mais sobre como funciona (ou não funciona) a burocracia estatal do que qualquer tratado sobre gestão pública. Vale a pena revisar algumas das pérolas que ficaram registradas pela incômoda câmera de nossa loura jornalista.

Kiara se infiltrou nos escritórios da Municipalidade de Asunción, instituição que se encontra de facto em falência financeira. Entrou nas dependências onde se aloja a legião que "trabalha" para os conselheiros municipais.

Passavam das nove da manhã e o primeiro a que assistimos foi o ritual do café da manhã. Ofuscados alguns, indiferentes outros, a maioria respondeu à incômoda consulta de Coronel informando-lhe que obviamente estavam tomando seu café com leite, suas tostadas ou o abacate com ovos. Um se levantou irado da cadeira, abraçado à garrafinha de tererê e com a bolsa de chipa em uma mão, e se retirou proferindo insultos. A jornalista havia quebrado a paz habitual daquela primeira e interminável refeição do dia.

Conclusão de Perogrullo: Os tempos da administração pública não são iguais aos dos demais mortais. Não há um horário específico para a merenda matutina nem lugar inadequado para seu desfrute.

Qualquer atividade pela qual o contribuinte esteja pagando seus impostos e taxas é secundária e poderá ser realizada sempre que reste algum tempo antes da hora de saída. Todo usuário dos serviços estatais o sabe. Nada mais comum do que identificar o operário estatal trocando mensagens essenciais no WhatsApp ou assistindo a vídeos de obrigatória visualização no TikTok enquanto a fila de espera à sua frente cresce vertiginosamente.

Do café passamos ao "trabalho" propriamente dito porque Kiara se infiltrou depois nas dependências da Honorável Câmara de Deputados, mais precisamente nos escritórios onde se registra um exército de colaboradores. E ali apareceu em tela um robusto burocrata explicando que nada estava fazendo porque seu computador se danificou. Quando perguntado desde quando, respondeu sem se imutir que fazia uma semana.

Ficou claro que o que fazia com o computador podia deixar de ser feito por uma semana, um mês ou para sempre... E provavelmente nada aconteceria.

No escritório contíguo havia uma mulher que alegava ser chefe de seção. Quando Kiara lhe perguntou quem eram seus subordinados porque a sala estava vazia, ela explicou que nenhum. Era chefe de ninguém. Só a chefe, simplesmente... Alguém com salário de chefe. Depois, um diretor muito pomposo lhe contou que, entre salário, bonificação e gastos de representação, ganha mais de 20 milhões de guaraníes, quatro vezes o que percebe por um vínculo um neurocirurgião com doze anos de estudo.

Não faltou o recém-chegado (eram por volta das dez da manhã) que assegurou que faz escritório todos os dias desde as sete, nem a faxineira que não soube explicar que coisas cuidava. Havia dependências onde ninguém sabia dizer quantos eram no escritório, e outras nas quais sabiam quantos eram, mas não onde estava a maioria... Nem que estavam fazendo.

Neste material curto, com muito humor e uma candura teatralizada, Coronel desenhou um postal do que a política fez com a burocracia. Uma anarquia organizada para distribuir salários, com funcionários que não têm função, que ingressaram sem concursar, que não sentem o contribuinte como seu empregador e que só prestam homenagem ao padrinho que lhes conseguiu o cargo.

E nadando a braçadas naquela maré de mediocridade e clientelismo político estão esses notáveis funcionários com vocação de serviço que, sem maiores expectativas de construir uma carreira nem melhorar seus rendimentos por carecerem de padrinhos, tentam manter funcionando a enferrujada maquinaria do Estado. São os poucos que esperam com ansiedade a visita de Kiara, aqueles capazes de responder algo tão simples quanto que fazem.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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