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Paraguai

Um necessário plano de riscos para enfrentar os efeitos de El Niño

20/10/2026 10:45 4 min lectura 15 visualizações

Com respeito ao fenômeno El Niño, que já vem dando mostras de seu potencial, deve-se admitir que o Paraguai não está suficientemente preparado para enfrentar uma emergência como a que potencialmente pode suceder nas próximas semanas e meses.

Assim o demonstraram os eventos meteorológicos da primeira semana de outubro, quando se registraram gigantescos granizos e fortes tempestades com chuvas. Estes fenômenos não apenas afetaram os produtores, mas também provocaram destruições e perdas materiais. Tal foi o caso de centenas de famílias de Assunção e sua área metropolitana, que sofreram a queda de granizo que destruiu o teto de casas e veículos.

Como estava previsto e foi anunciado, o Paraguai se encontra entre os três países que terão um maior impacto econômico devido ao fenômeno climático El Niño. Um informe do Banco Mundial falava que afetará a produção e que poderia incidir na subida dos preços.

"El Niño apresenta riscos adicionais à baixa, já que as secas em algumas partes da região e as inundações em outras poderiam afetar a produção e aumentar as pressões sobre os preços, com Equador, Paraguai e Argentina potencialmente enfrentando os maiores impactos".

Meses antes, e ante o anúncio da chegada de El Niño, o titular da Secretaria de Emergência Nacional havia dito que em nosso país o fenômeno costuma se manifestar com chuvas intensas que por si solas podem causar inundações em pontos críticos de Assunção ou cidades do Departamento Central, que além disso as chuvas causam um aumento dos leitos de arroios que desembocam no rio Paraguai podendo gerar inundações em zonas ribeirinhas. Por isso se explicou a importância de começar com a limpeza de leitos hídricos nos quais frequentemente há lixo arrojado pelos vizinhos e anunciou reuniões com intendentes do Departamento Central para conscientizar as autoridades a fim de realizar trabalhos preventivos. Esta tarefa educativa dos municípios deveria ser cotidiana, porque de fato são as autoridades mais próximas das pessoas. E tampouco se pode culpar a população por arrojar lixo aos arroios, quando os municípios não estabelecem controles nem penalidades aos infratores, e muitas vezes não resolvem o problema do lixo.

Na zona Sul do país, os estragos já se fazem sentir; há famílias evacuadas, cidades que já ficaram debaixo de água, e os pequenos produtores mostram preocupação porque seus animais devem ser alimentados, ao passo que buscam refúgios para mantê-los a salvo. O rio Paraná continua crescendo e já deixou mais de 3.000 desabrigados em Ayolas e Misiones.

Como assinalam desde a Direção Geral de Gestão e Redução de Riscos de Desastres, estão realizando um acompanhamento constante do fenômeno, e estimam que há uma probabilidade de mais de 90% de que seja um evento sumamente forte para finais de 2026 e inícios de 2027, pois o fenômeno está tendo um comportamento totalmente distinto ao que no Paraguai sempre se dava.

Este é o momento em que o governo central e os municípios mostrem os planos que vêm promovendo e assistam às comunidades necessitadas.

Outro ponto que não se pode contornar é que nosso país não tem um sistema de alerta antecipado para a população; de fato está praticamente às cegas ante as tempestades. Isso se dá pela falta de previsão de nossas autoridades; recordemos a recente tempestade que chegou acompanhada de um inusitado granizo que não apenas afetou o interior do país, mas que também deixou sequelas materiais em habitações e veículos em Assunção e Central.

Quanto aos radares, um que estava instalado no prédio da UNA está em manutenção; outro que estava previsto para a zona sul do país, que ajudaria a monitorar as tempestades que se deslocam desde a Argentina em direção ao nosso país, ficou sem financiamento.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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