Talvez sejam necessários 1.200, mas o problema é como desvinculá-los
O gerente financeiro da Entidade Binacional Yacyretá, Federico Vergara, reconheceu que a instituição poderia funcionar com uma menor quantidade de funcionários, embora tenha sustentado que os altos salários e benefícios são regidos por normas binacionais e não podem ser modificados de forma discricionária.
"O tema sempre se instala a partir da percepção cidadã, que respeitamos, mas é preciso diferenciá-la da realidade jurídica da empresa", explicou após as publicações da Última Hora sobre os salariões na binacional.
Precisou que quando se iniciaram as obras de Itaipú e Yacyretá, se conceitualizou o nível salarial das pessoas que trabalham na EBY. "Isso não se instalou agora. Há um protocolo que forma parte do tratado, de segurança e trabalho, que estabelece as normas básicas de como se administra. Mais ainda, não é somente para os funcionários. As empresas contratadas que trabalham em Yacyretá devem se adequar a esse protocolo", indicou.
Alegou que os salários e benefícios em Yacyretá não são discricionários, mas estão estabelecidos em regulamentos internos e no contrato coletivo de trabalho, derivados inclusive de protocolos incluídos no tratado binacional.
"Não é que um diretor decide a quem dar benefícios. Tudo está normatizado por percentuais segundo cargo, antiguidade ou condições como o desenraizamento", indicou.
Afirmou que os benefícios "estão claramente estabelecidos", e detalhou que se definem em função de distintos fatores como o título profissional, o cargo, a antiguidade e, no caso de funcionários que devem se trasladar desde Assunção à central hidrelétrica, o desenraizamento.
Comentou que a entidade enfrenta inúmeras demandas judiciais de trabalhadores contratados que não recebem esse benefício "e que quando nos processam, ganham de nós". Indicou que o Juizado os obriga a pagar, "não somente daqui para frente, mas para trás e são somas multimilionárias".
Precisou que as mesmas regras se aplicam no lado argentino, em relação às designações e aos ajustes. "Eles têm muito mais ajustes salariais que nós, porque está estabelecido o ajuste pelo IPC e vão ajustando porque têm uma desvalorização muito maior", disse.
Sobre a possibilidade de reduzir o impacto orçamentário quanto a salários, explicou que existem dois caminhos: a desvinculação de pessoal ou uma reestruturação orçamentária. Contudo, ressaltou que implica contar com recursos para indenizações. "Se não pagas, te processam e conseguem a reincorporação. Não é uma decisão inteligente", sustentou. O outro caminho é a reestruturação do orçamento e avaliar como o impacto será menor.
Também assegurou que desde o início da atual administração se reduziu o quadro em uns 170 funcionários, passando de cerca de 1.900 a aproximadamente 1.700 empregados do lado paraguaio.
Ao comparar com a Argentina, onde há cerca de 700 trabalhadores, explicou que a diferença responde ao impacto territorial da represa. "Os 80% da área afetada estão no Paraguai, o que implicou relocalizações, obras sociais e uma grande demanda de profissionais", detalhou.
Não obstante, reconheceu que o número atual poderia ser menor. "Se me perguntas se Yacyretá precisa de 1.800 funcionários, talvez sejam necessários 1.200. Mas o problema é como desvincular pessoas que têm estabilidade trabalhista", afirmou.
"Como tiras gente que tem estabilidade trabalhista? Então, quando alguns legisladores, por razões políticas, apresentam a panaceia da solução, mas não te dizem como, se demonstra a realidade das coisas", expressou.
Além disso, questionou referentes da oposição e assinalou que "resulta chamativo que agora descubram a pólvora", ao recordar que durante suas administrações não impulsionaram mudanças. "Se era tão fácil, por que não fizeram quando foram governo? Muito pelo contrário, aumentaram a quantidade de funcionários e elevaram consideravelmente a escala salarial".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.