Soroka assinala que Hambre Cero não impacta realmente no pequeno produtor
O senador Colym Soroka apresentou o projeto de lei que propõe modificações estruturais à normativa do programa Hambre Cero com o objetivo de descentralizar sua execução e assegurar que os benefícios cheguem efetivamente ao setor produtivo nacional, especialmente à agricultura familiar.
Soroka enfatizou que o eixo do projeto não passa por quem administra os recursos, mas por garantir que o programa cumpra seu objetivo original: beneficiar os pequenos produtores. "A ideia não é quem administra, mas que a oportunidade chegue ao que produz", sustentou.
A iniciativa, acompanhada por legisladores como Óscar Salomón, José Oviedo, Carlos Núñez, Noelia Cabrera, Luis Pettengill, Mario Varela e Enrique Salyn Buzarquis, propõe manter o Ministerio de Desarrollo Social como órgão reitor, mas dividir a execução: centralizada em Asunción e no Departamento Central, e municipal no resto do país.
O legislador questionou que, após mais de dois anos de implementação, o programa não conseguiu impactar como se esperava no interior do país nem na agricultura familiar. Assinalou a falta de planejamento e de um cronograma claro que permita articular a produção local com a provisão de alimentos escolares.
Nesse sentido, insistiu que se deve estabelecer uma conexão direta entre a chácara e a mesa escolar e questionou a gestão do ministro da Agricultura, Carlos Giménez. "A ideia é que a produção nacional abasteça o programa. Não faz sentido enviar alimentos desde a capital a centenas de quilômetros sem condições adequadas de conservação", afirmou, ao questionar a logística atual.
Também apontou a necessidade de maior envolvimento do Ministerio de Agricultura, ao qual criticou por sua escassa presença nos problemas do setor. Indicou que o programa representa uma oportunidade para fortalecer a agricultura familiar, atualmente golpeada pela baixa rentabilidade de produtos tradicionais como a erva-mate.
Além disso, o projeto incorpora uma "blindagem" para os fundos da tarifa zero, estabelecendo que os recursos não poderão ser cortados nem reprogramados, e prevê mecanismos de controle como auditorias semestrais da Contraloría e sanções patrimoniais para casos de malversação.
A proposta foi encaminhada às comissões de Legislação, Hacienda e Contas para sua análise antes de seu tratamento no plenário do Senado.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.