Sitrande adverte sobre massificar protestos contra plano energético
Secretário-geral do sindicato critica falta de investimento em infraestrutura elétrica
O secretário-geral do sindicato, Adolfo Villalba, questionou a falta de investimento em infraestrutura elétrica básica e acusou setores políticos e empresariais de atentarem contra os interesses da empresa estatal e da cidadania.
As manifestações do sindicalista ocorreram no marco de uma jornada de protesto realizada na sede central da ANDE, onde um grande grupo de funcionários subiu até os escritórios da presidência da estatal para realizar cânticos e exigir transparência na gestão institucional.
Villalba criticou severamente a reorientação dos fundos públicos para rubricas alheias ao fortalecimento do sistema elétrico nacional.
"Quando se investe, em vez de investir em infraestrutura elétrica, se investe em compra de viatura, de ambulância, que ninguém sabe quanto custa, já se está prejudicando o usuário. Porque em vez de que se instale um transformador em frente à tua casa, se reforce uma linha que faça que te chegue um atendimento como a população merece, se está investindo em qualquer outra coisa", fustigou o líder sindical.
Nessa mesma linha, o dirigente denunciou que essas decisões são manejadas por grupos políticos sem a devida prestação de contas, apontando diretamente para a administração dos recursos binacionais.
"Os gastos sociais de Itaipú não são auditáveis pela Controladoria. É como que me dê a mim uma caixa pequena que eu possa fazer o que queira e não possa prestar contas a ninguém", recriminou.
Quanto às intenções do Poder Executivo de criar um órgão regulador para o setor energético, o titular de Sitrande alertou que a iniciativa busca deslocar a ANDE dos espaços estratégicos de decisão para favorecer negócios privados e capitais estrangeiros.
"Para que entenda a cidadania: lhe querem enviar a seus enviados em vez de lhe enviar a ANDE. Que lhe envie nos lugares de decisão, que se chamaria órgão regulador e aí vão fazer seu negócio, porque na ANDE não podem, porque ainda há patriotas na ANDE", asseverou.
Segundo Villalba, os integrantes da mesa energética respondem a interesses particulares e atuam como intermediários para pactuar contratos com tarifas preferenciais.
"Hoje em dia também existem os intermediários para colocar grandes empresas na ANDE ou para conseguir contratos e dessa maneira venham os investidores e eles cobrem suas comissões", sustentou.
O referente sindical advertiu sobre o impacto tarifário direto que essa política teria sobre a população e a indústria nacional.
"Se você lhe cobra barato a esse tipo de usuário que vem do estrangeiro, então lhe vai ter que cobrar mais caro à indústria de casa", explicou, argumentando que a ANDE deveria fixar tarifas competitivas aos grandes consumidores para beneficiar aos usuários residenciais e às empresas locais geradoras de emprego.
Nesse contexto, relembrou o antecedente do projeto Atome.
"Aí você tem a Spalding que veio e lhe gestionou uma tarifa de presente a 30 dólares que esteve assim de sair. Se nós não saíssemos à rua ou a cidadania ou a imprensa não nos acompanhasse, hoje teríamos Atome pagando a 30 dólares por 15 anos", rememorou.
Villalba dirigiu além disso duras críticas contra ministros do Executivo, sinalizando concretamente a Javier Jiménez e Gustavo Villate como os principais responsáveis pelo embate contra a estatal elétrica.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.