Setor marítimo mantém classificação de zona de guerra para o estreito de Ormuz
Setor marítimo mantém classificação de zona de guerra
Os sindicatos e empregadores do setor marítimo continuarão considerando o estreito de Ormuz como zona de guerra, classificação que mantém o pagamento de um salário dobrado para os marinheiros que aceitem navegar por essa zona, conforme comunicado conjunto publicado na quarta-feira. Os marinheiros cobertos por esta convenção coletiva e que trabalhem em navios que operem nessas zonas têm direito a rejeitar a navegação por essas áreas e a solicitar sua repatriação por conta do armador.
Reconhecimento de riscos persistentes
"Esta decisão reconhece o risco persistente e significativo para a vida humana, assim como a rápida evolução da situação na zona", indica o comunicado da Federação Internacional dos Trabalhadores do Transporte (ITF) e do Joint Negotiating Group (JNG), que representa aos empregadores da indústria do transporte marítimo.
A determinação se mantém apesar de uma frágil trégua entre Estados Unidos e Irã, durante a qual, contudo, dois navios foram atacados. Este status, vigente ao menos até 9 de julho, se aplica apenas aos navios pertencentes a companhias signatárias das convenções coletivas do International Bargaining Forum (IBF), que representam aproximadamente 15.000 navios em todo o mundo.
O estreito de Ormuz foi classificado pela primeira vez como zona de operações de guerra pelo IBF em 5 de março, quatro dias após o primeiro ataque contra navios que tentavam atravessá-lo.
Impacto no comércio marítimo
Os navios mercantes foram severamente afetados pela situação no Oriente Médio desde 1º de março, quando o Irã fechou esta passagem estratégica. Registram-se ao menos 14 marinheiros falecidos e mais de 40 navios atacados desde o início do conflito. Os ataques mais recentes ocorreram em 25 e 27 de junho, o que levou a Organização Marítima Internacional (OMI) a suspender um plano destinado a evacuar os 11.000 marinheiros presentes no Golfo.
Conversações técnicas em Doha
Delegados de Estados Unidos e Irã realizarão conversações técnicas indiretas sobre seu acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio, conforme informação de diplomatas. Funcionários de ambas as nações realizam na quarta-feira em Doha conversações técnicas indiretas, com mediadores do Catar e Paquistão, sobre o memorando de entendimento que se fundamenta nos avanços alcançados na cúpula de Lago Lucerna, na Suíça.
Os enviados estadounidenses Jared Kushner e Steve Witkoff não participarão dessas conversações técnicas, após reunião na terça-feira com o primeiro-ministro do Catar, o xeque Mohamed bin Abdulrahman Al Thani. Washington e Teerã indicaram que enviarão funcionários para os encontros no Catar.
Protocolo de entendimento
O protocolo de acordo contempla um cessar-fogo de 60 dias na guerra iniciada com os bombardeios de Estados Unidos e Israel de 28 de fevereiro, a reabertura do estreito de Ormuz e um prazo para alcançar um acordo sobre o fim da guerra e o programa nuclear iraniano.
Os funcionários iranianos viajavam na quarta-feira para Doha. O Irã rejeitou uma versão anterior do presidente estadounidense, Donald Trump, que mencionava conversações diretas. O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baqai, confirmou que a delegação estaria encabeçada pelo vice-ministro de Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi.
Baqai acrescentou que a delegação "não tem previsto sustentar negociações com a parte estadounidense a nenhum nível nos próximos dias". Em sua reunião com o primeiro-ministro catarense, Kushner e Witkoff abordaram "as conversações em andamento entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã no marco do protocolo de acordo", indicou o Ministério de Relações Exteriores do Catar em comunicado.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.