Setor bananeiro enfrenta desafios pela apreciação do guaraní
Impacto do tipo de câmbio no setor exportador
A Câmara Paraguaia da Banana e do Abacaxi (Capabap) apontou que a apreciação do guaraní frente ao dólar apresenta desafios para a sustentabilidade do setor bananeiro. O fortalecimento da moeda local, que se apreciou aproximadamente 25% nos últimos doze meses, reduz os ingressos em moeda local dos exportadores, já que as vendas internacionais são cobradas em dólares.
Pressão sobre margens operacionais: Enquanto os ingressos em guaraní diminuem pelo tipo de câmbio, os custos de produção (salários, insumos e logística) se mantêm ou até aumentam, reduzindo significativamente as margens operacionais dos produtores. Em muitos casos, essas margens atingiram níveis negativos.
Estrutura do setor e emprego rural
O setor bananeiro paraguaio caracteriza-se por sua base familiar e comunitária. Aproximadamente 70% dos produtores operam em superfícies de cerca de sete hectares, distribuídas principalmente nos departamentos de Caaguazú, San Pedro, Cordillera e Concepción. A atividade abrange cerca de 12.000 hectares e constitui uma das principais fontes de emprego rural nessas zonas, onde existem poucas alternativas laborais.
Contexto regional e competência internacional
O setor também enfrenta um contexto regional adverso. Argentina, que representa aproximadamente 70% das exportações de banana paraguaia, experimentou uma depreciação de sua moeda, o que encarece o produto nacional naquele mercado. Brasil, principal concorrente direto, beneficia-se de uma moeda mais fraca, melhorando sua posição competitiva na região.
Adicionalmente, o setor experimenta pressões pelo aumento dos custos internacionais, incluindo o encarecimento de fertilizantes e combustíveis, bem como elevados custos logísticos. Entretanto, os preços internacionais da banana não aumentaram na mesma proporção, aprofundando os desafios econômicos.
Solicitações do setor às autoridades
A Capabap instou o Banco Central do Paraguai e o Ministério da Economia e Finanças a considerarem o efeito do tipo de câmbio sobre os setores produtivos, especialmente aqueles que geram emprego no interior do país. O sindicato enfatiza que as decisões de política monetária deveriam incorporar variáveis como a rentabilidade do produtor exportador e o impacto na cadeia agropecuária.
"A política monetária tem rosto humano", sublinha a Capabap ao advertir que o impacto do tipo de câmbio afeta diretamente aos trabalhadores rurais que dependem dessa atividade como única fonte de renda.
Embora o setor não solicite subsídios, pede que se considerem os efeitos das decisões macroeconômicas na viabilidade dos produtores e no emprego que geram em comunidades rurais onde essas alternativas são limitadas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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