Senadores pedem mudança de todo o Diretório do BCP pelo caso ueno
Legisladores questionam atuação da banca matriz sobre operações com entidade financeira
O senador Rafael Filizzola apresentou ontem um projeto de declaração que insta ao Poder Executivo a promover a remoção de todos os integrantes do Diretório do Banco Central do Paraguai (BCP), por presunto mal desempenho em suas funções de controle e supervisão do sistema financeiro. A intenção do legislador era apresentar a proposta sobre a mesa na sessão, mas ao não haver quórum a sessão ordinária se transformou em extraordinária, pelo que não pôde ser tratada.
A iniciativa se soma aos questionamentos sobre as atuações da banca matriz em torno das operações vinculadas ao ueno bank.
A proposta foi apresentada um dia após a Câmara de Deputados rejeitar um projeto similar que instava o Executivo a destituir o presidente do BCP, Carlos Carvallo.
O pedido tratado em Deputados gerou posições contrapostas. O deputado Raúl Benítez sustentou que os vínculos prévios de Carvallo com a financeira ueno e as decisões posteriores da banca matriz sobre a entidade mereciam revisar sua continuidade no cargo. Por sua parte, o deputado Alejandro Aguilera se opôs à iniciativa.
O projeto de Filizzola amplia o alcance do pedido, ao propor a remoção de todo o Diretório e não somente do presidente da instituição.
O documento solicita iniciar formalmente o procedimento de cessação ou remoção por mal desempenho, com base no artigo 17, inciso c), da Lei nº 489/1995, modificada pela Lei nº 6104/2018.
Entre os aspectos que propõe examinar figuram o cumprimento dos limites regulatórios de crédito a pessoas e empresas vinculadas, a oportunidade e eficácia das medidas corretivas e o tratamento institucional dos informes e alertas emitidos pelas áreas técnicas e de supervisão do BCP.
Também propõe revisar o memorando de 10 de julho de 2026 atribuído a Fernando Rivarola, então gerente de Supervisão, que continha observações sobre operações com empresas vinculadas. A isso se somam os critérios técnicos e jurídicos aplicados na gestão de riscos, a cessão ou transferência de carteiras creditícias e a adoção de sanções prudenciais.
O objetivo é determinar as eventuais responsabilidades institucionais e individuais dos integrantes do Diretório.
Questionamentos pelos limites de crédito
Os questionamentos coincidem com os dados incluídos no projeto apresentado por Benítez. Segundo esse documento, ao fechamento de abril de 2026, as operações creditícias do ueno bank com MOWI SA, Grupo M e Grupo Hendy SA alcançavam G. 743.784 milhões, equivalentes a aproximadamente USD 123 milhões.
Esse montante representava cerca de 30% do patrimônio efetivo do banco, frente ao limite regulatório de 20%. A diferença equivalia a aproximadamente USD 41,5 milhões.
Posteriormente, o BCP sustentou que o excesso foi corrigido dentro do prazo legal e que a cessão de carteira era válida. A aplicação dos limites regulatórios e o tratamento dado a essas operações formam parte dos aspectos que os legisladores buscam esclarecer.
Leite fala de pedido empresarial
Os pedidos de mudanças na condução da banca matriz também tiveram eco no setor empresarial. O senador Gustavo Leite questionou o informe remetido pelo BCP ao Senado sobre as dúvidas relacionadas ao ueno bank e o qualificou de incompleto e insatisfatório.
"Me parece que esse informe foi incompleto. Ao haver um informe incompleto se geram mais dúvidas que certezas", manifestou.
O legislador revelou que na sexta-feira à tarde realizou-se uma reunião em Mburuvicha Róga, com a participação de líderes empresariais que solicitaram ao presidente da República, Santiago Peña, mudanças no Diretório do BCP e na Superintendência de Bancos.
Segundo relatou, os empresários propuseram a renovação completa do Diretório e a designação de autoridades que gerem credibilidade.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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