Sem quórum: Deputados não tratam a intervenção de municípios nem a interpelação a Baruja
Maioria oficialista esvazia plenário para proteger intendentes da ANR e PLRA, além de blindar ministro cartista
A Câmara de Deputados ficou novamente sem quórum e deixou pendente o tratamento de 16 pontos de sua ordem do dia, entre os quais destacavam sete pedidos de intervenção de municípios, cujas administrações têm sérias denúncias de irregularidades.
Um deles é o caso do intendente Hernán Rivas –homônimo de seu filho senador Hernán David Rivas–, intendente de Tomás Romero Pereira, que busca a reeleição em representação do movimento oficialista colorada.
Em meio à discussão sobre a quantidade infinita de pedidos de informes que a Câmara adia ou diretamente rejeita pelo simples fato de que provêm da oposição, os deputados foram deixando vazia a sala de sessões até que não houve o número mínimo que contempla o regulamento para continuar com a sessão.
Não é casualidade que isso ocorra e, embora o deputado Hugo Meza (bancada B oficialista), que exercia naquele momento como titular da Câmara ao fazer a chamada, tenha pedido a seus colegas que honrem seu dever com a cidadania, havia um acordo tácito da maioria para não tratar os pedidos de intervenção a municípios que levam a marca da ANR e PLRA, em um pacto de impunidade antes das eleições municipais.
Somente 28 deputados estavam anotados no momento da chamada e, portanto, foi levantada a sessão.
Desta forma respiram os municípios cujas intendências estão sob escrutínio, como é o caso do distrito de Tomás Romero Pereira e também o de Ñemby, a cargo de Tomás Olmedo (ANR), cujos documentos estão em processo de conformação de comissões de estudo da intervenção.
Além disso, estão pendentes a conformação de comissões de estudos para analisar os pedidos de intervenção das intendências de Yby Yaú, a cargo de Vidal Argüello (PLRA); o Município de Ybyrarobaná, do intendente César Machuca (ANR); Emboscada, administrado por Silvio Peña (PLRA), e o Município de Juan León Mallorquín, a cargo de Elvio Coronel (Alianza Mallorquina).
Somente o caso que afeta o intendente de Lima, Juan Manuel Ávalos (Yo Creo), tem previsto o estudo para conceder acordo para a intervenção.
Também, ao deixar sem quórum, os cartistas se garantiram de proteger o titular do Ministério de Urbanismo, Habitação e Habitat (MUVH), Juan Carlos Baruja, já que o pedido de interpelação figurava no sexto ponto da ordem do dia da Câmara de Deputados. A oposição impulsiona o pedido, mas o fato de que o cartismo tenha em Baruja um dos possíveis candidatos a vice-presidente na chapa que liderará Pedro Alliana no cartismo, torna esquiva a possibilidade de que o pedido avance.
O cartismo já teria dado o aval a Baruja como o provável candidato a acompanhar como dupla presidencial ao candidato presidencial cartista, Pedro Alliana.
Além disso, a maioria oficialista considera que, depois que ficou sem efeito a adjudicação do departamento de Luque ao ex-senador Javier Chaqueñito Vera, ficou salvaguardada a gestão de Baruja, para quem a oposição lançou várias críticas por esse processo.
Produziu-se uma acalorada discussão em torno dos pedidos de informes que o oficialismo nega de maneira sistemática à oposição.
O debate surgiu a partir de solicitações apresentadas por distintos deputados do bloco opositor, entre elas a do deputado liberal Pedro Gómez, que solicitou à Municipalidade de Luque –a cargo do intendente da ANR, Carlos Echeverría– um informe à Câmara sobre os processos de desafetação e desapropriações que terminam beneficiando ocupantes.
Para Gómez, a falta de transparência nesses processos daria conta de que, em muitos casos, se trataria de venda encoberta de imóveis públicos a preços irrisórios.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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