"Sem pressa", EUA e Irã avançam rumo a um acordo de paz
Negociações decorrem de forma "ordenada e construtiva", segundo Trump, enquanto Paquistão espera sediar nova rodada de conversações
Irã e Estados Unidos avançam nas negociações para pôr fim à guerra e facilitar a navegação no Estreito de Ormuz, o que a Europa celebrou, enquanto o Paquistão, que exerce papel de mediador, espera sediar "muito em breve" outra rodada de conversações entre as partes.
Enquanto as autoridades iranianas evitaram pronunciar-se de maneira oficial sobre o possível acordo de paz durante o dia de ontem, pelos Estados Unidos continua-se falando de avanços e de um possível e iminente anúncio de um pacto.
O presidente estadunidense, Donald Trump, garantiu ontem que as conversações "avançam de maneira ordenada e construtiva", embora tenha afirmado ter pedido a sua equipe negociadora que não se precipite no fechamento do acordo. "Ambas as partes devem tomar seu tempo e fazê-lo bem. Não pode haver erros!", escreveu Trump no Truth Social, onde além disso reiterou que Irã "não pode desenvolver nem adquirir uma arma ou uma bomba nuclear".
O mandatário indicou também que o bloqueio marítimo imposto por Washington sobre portos iranianos desde meados de abril "manterá-se em plena vigência" até que o acordo seja assinado.
Após essas afirmações de Trump, o portal estadunidense Axios informou, citando um alto cargo da Casa Branca, que o acordo com Irã poderia assinar-se nos próximos dias, embora não este mesmo domingo, conforme havia sugerido o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, desde Nova Delhi.
Enquanto isso, o Paquistão, mediador das conversações, disse que espera sediar "muito em breve" em Islamabad novas rodadas de negociações entre Washington e Teerã, após uma primeira tentativa fracassada no passado abril.
REABERTURA DA PASSAGEM. Os meios iranianos e estadunidenses vazaram ontem detalhes do rascunho do memorando de entendimento que Irã e EUA estão ultimando para pôr fim à guerra iniciada após a ofensiva lançada por Estados Unidos e Israel no passado 28 de fevereiro.
Tanto Axios quanto a agência iraniana Tasnim coincidem em que o possível acordo prioriza o fim das hostilidades em todos os frontes e a reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado parcialmente pelo Irã desde os primeiros dias da guerra.
Segundo Axios, o memorando incluiria uma trégua de 60 dias durante a qual Irã normalizaria o trânsito marítimo em Ormuz, enquanto Tasnim, vinculada à Guarda Revolucionária, informou que o acordo contemplaria a "recuperação gradual do volume de trânsito marítimo existente antes da guerra", embora precisasse que não implicaria um retorno total à situação prévia ao conflito e que a passagem continuaria sob controle iraniano.
As diferenças entre os vazamentos aparecem principalmente em torno do programa nuclear iraniano.
Segundo Axios, o rascunho do memorando incluiria o compromisso iraniano de não buscar armas nucleares, uma das principais linhas vermelhas estabelecidas por Trump durante as negociações.
Entretanto, Tasnim garantiu que o possível acordo não inclui nenhuma cláusula nuclear e que todos os assuntos relacionados com o programa atômico foram adiados para negociações posteriores à assinatura do memorando de entendimento, em um prazo de 60 dias.
Esta situação gerou preocupação em Israel, onde o primeiro-ministro, Benjamim Netanyahu, disse ter acordado com Trump que qualquer acordo de paz com Irã implicaria o "desmantelamento das instalações iranianas de enriquecimento de urânio e a retirada de seu material nuclear altamente enriquecido", uma inquietação compartilhada também pela União Europeia e Londres. Diante disso, o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, insistiu em que Teerã não busca fabricar bombas atômicas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.