Segurança elétrica: o desafio de converter as normas em cultura
O panorama que motivou a regulação
Antes da aprovação da Lei nº 5668/2016, o Paraguai enfrentava um grave problema de segurança elétrica. Os dados anteriores a essa norma registravam uma morte a cada três dias e meio causada por acidentes por exposição à corrente elétrica, com incidentes que ocorriam em residências, locais de trabalho e espaços públicos.
A exposição de motivos do projeto de lei referia 383 mortes por eletrocussão em instalações elétricas de baixa tensão entre 2009 e 2012, segundo estatísticas do Departamento de Estatística da Polícia Nacional. Além disso, o Corpo de Bombeiros Voluntários do Paraguai indicava que 90% dos incêndios registrados em edificações tinha origem elétrica.
Apesar dessas cifras alarmantes, o risco elétrico nem sempre era reconhecido publicamente como uma ameaça significativa para a vida, contrariamente a outros riscos que recebem maior atenção social.
O marco normativo construído em uma década
Até 2016, o Paraguai carecia de uma lei específica que organizasse de maneira integral a segurança em instalações elétricas. Embora existissem normas técnicas e regulamentações vinculadas ao setor, não havia um instrumento legal que convertesse a proteção de pessoas e bens em uma responsabilidade jurídica clara.
Com a Lei nº 5668/2016, o país estabeleceu um marco regulatório que complementou o mandato constitucional de proteger a integridade física dos cidadãos. Posteriormente, desenvolveu-se a terceira edição da Norma Paraguaia de Instalações Elétricas de Baixa Tensão, que constitui uma ferramenta técnica renovada para orientar as instalações seguras.
O desafio atual: da norma à prática
Segundo o Eng. Raúl González Paredes, diretor de Segurança Elétrica do Instituto Nacional de Tecnologia, Normalização e Metrologia (INTN), o país completou a primeira etapa do processo: criar as regras. A segunda etapa consistiu em desenvolver os mecanismos para aplicá-las. Agora enfrenta o desafio mais importante: que essas regras cheguem efetivamente a cada instalação.
Detrás de cada número existe uma pessoa e uma família afetada. A finalidade da segurança elétrica é precisamente evitar que uma condição de risco termine se convertendo em uma tragédia, afirmou González.
Um incêndio de origem elétrica pode começar em um condutor, uma conexão ou um quadro, mas suas consequências geralmente transcendem o ponto de origem: residências, comércios e indústrias podem ser afetados, equipamentos e mercadorias destruídos, atividades interrompidas, e em casos graves, pessoas lesionadas ou falecidas.
Rumo a uma cultura de prevenção
A conclusão dos especialistas é clara: o Paraguai já conta com as regras e ferramentas necessárias para garantir a segurança elétrica. O próximo passo requer que instituições públicas, empresas privadas, profissionais do setor e cidadanía em geral convertam essas normas em uma cultura de prevenção efetiva e sustentada.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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