Salário mínimo: Bachi reconhece critérios políticos no reajuste e pede à oposição baixar de 'seu pedestal'
Presidente do Congresso admite decisão política após ser questionado sobre falta de respaldo técnico no decreto presidencial
O presidente do Congresso, Basilio Bachi Núñez, tentou argumentar que Santiago Peña contava com argumentos técnicos para decidir um reajuste de 5% do salário mínimo. Porém, ao ser consultado reiteradamente sobre a carência deste respaldo no decreto presidencial, admitiu que a decisão foi política. "O presidente da República decidiu; há critérios políticos e foi em benefício do trabalhador", expressou.
O senador destacou que o presidente tenha duplicado o reajuste em relação à variação do índice de preços ao consumidor (IPC), medida que se dá pela primeira vez durante seu mandato. "É importante, dizia, que o sistema econômico paraguaio não se tenha danificado, que se tenham beneficiado principalmente os operários, os funcionários, mas não tão bem o empregador, então creio que é um ponto intermediário que propõe o presidente que já se deu em períodos anteriores, no governo anterior, onde se chegou a 5,1% de aumento", lançou.
Asimismo atacou novamente contra a oposição, que questiona a falta de critério técnico e consolidado para os cálculos do reajuste do salário mínimo, lembrando-lhe da vitória de Honor Colorado nas internas de 7 de junho. "Eu recomendaria à oposição, como se diz vulgarmente, baixar de seu pedestal, ver, por exemplo, o último desempenho do partido, que significa que há uma confiança neste governo e avaliar melhor estas questões", manifestou.
Quanto ao adiamento repetido do estudo do projeto de lei que modifica o Código do Trabalho sobre o salário mínimo, justificou que são 45 os senadores e responsabilizou também os senadores da oposição pelo engavetamento desta iniciativa. Asimismo indicou que o cartismo não reúne maioria na Câmara Baixa, já que os 14 oficialistas, dois dissidentes e quatro liberais somam 20 votos, embora tenha reconhecido que sim reúne o apoio necessário em certas circunstâncias.
Finalmente sustentou que não estudará nenhum projeto sob pressão e nesse sentido qualificou de absurdo o questionamento do liberal Éver Villalba, sobre fixar um teto ao preço da carne.
Acerca do informe de gestão apresentado por Santiago Peña na ANR, disse que o mandatário poderia fazer o mesmo no PLRA ou em Patria Querida qualquer outro dia, se fosse interesse dos afiliados, já que a Constituição Nacional estabelece a obrigação de prestar contas ao Congresso Nacional na data 1º de junho. Destacou que houve melhorias no sistema de saúde e que se continuou com a política de Horacio Cartes, que fez uma renovação de 60% de unidades do transporte público, fazendo alusão à reforma do transporte público que está em processo de implementação.
Porém, reconheceu que as palavras de Cartes na Junta da ANR acerca da situação do sistema de saúde foram um puxão de orelhas para todos. "Nos auto-puxamos a orelha", indicou de forma irônica e justificou que a falta de medicamentos se deve a que há mais e melhores hospitais em San Pedro, Itapúa, Canindeyú, Concepción, Assunção e Itauguá.
"E claro que vai haver déficit de medicamentos se estamos reconstruindo de alguma forma a saúde do Paraguai, que foi cruelmente afetada na pandemia, onde o dinheiro que supostamente ia se destinar à saúde, não se deu", manifestou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.