Resgatam com vida um homem após oito dias sob os escombros na Venezuela
Resgate exitoso em meio à tragédia
Brigadas de socorristas resgataram na quinta-feira passada com vida um homem que permanecia preso oito dias sob as ruínas dos terremotos ocorridos na Venezuela. O operativo representou uma alegria em meio ao trágico balanço de destruição registrado na região. O trabalho de extração foi resultado de uma longa operação que começou na segunda-feira e envolveu resgatistas de sete países, conforme constatação no setor Catia La Mar do estado La Guaira, zona afetada pelos sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que provocaram mais de 2.500 mortos e milhares de desaparecidos.
Hernán Gil, um vigilante de 43 anos, foi retirado em maca dos escombros do edifício de sete andares onde ficou preso em 24 de junho. Sua esposa, Gusbimar González, expressou que "é um verdadeiro milagre" depois que o extraíram em meio a aplausos. Cabe destacar que neste tipo de eventos, a janela para encontrar sobreviventes geralmente fecha às 72 horas.
O resgate revive a esperança nesta região afetada, onde a população tem se dedicado desde o primeiro dia a retirar escombros. Contudo, as possibilidades de encontrar pessoas com vida sob as ruínas diminuem significativamente com o passar do tempo. Segundo explicou um resgatista, o corpo humano resiste até sete dias sem água. Neste caso, tinham transcorrido oito dias.
Esforços de identificação de vítimas
Dezenas de edifícios em ruínas já foram marcados com a letra D, que significa "deceased" (falecido) na nomenclatura internacional utilizada em operações de desastres, depois de serem inspecionados.
A presidenta interina Delcy Rodríguez atualizou o saldo de mortos para 2.595 e informou de 12.400 feridos. Ordenou que cada corpo seja identificado mediante reconhecimento por impressão digital, fotografia e, em casos onde não foi possível, odontologia forense. Rodríguez destacou que "ninguém vai para vala comum" e defendeu sua gestão da catástrofe indicando que se podem "contar as horas" desde o momento dos terremotos até o desdobramento de funcionários militares e policiais. Indicou que nas primeiras 24 horas se alcançou 4.000 funcionários, às 48 horas 11.000, e no momento do comunicado já havia 19.000.
Operativo internacional de resgate
Equipes dos Estados Unidos, El Salvador, Costa Rica, Portugal, México, Chile e Venezuela participaram de um operativo coordenado que cavou duas rotas simultâneas para liberar Hernán Gil. Durante o processo, recebia hidratação com sonda e ar através de um tubo instalado conforme avançava a operação.
Os resgatistas se abraçaram e aplaudiram quando Gil foi finalmente extraído pelo túnel de aproximadamente três metros de comprimento construído pelos socorristas. Sua esposa destacou que "não se machucou, não tem traumatismos" e explicou que "conseguiu se esconder embaixo de uma mesa, uma cadeira".
Desafios nas operações de busca
O governo informou que no dia dos sismos havia aproximadamente 30.000 cidadãos em La Guaira, dos quais 6.461 foram resgatados e mais de 13.000 saíram por seus próprios meios ou com ajuda de familiares e amigos. Com relação ao resto da população, não se dispõe de informação precisa. Nações Unidas calcula em 50.000 o número de desaparecidos. As redes sociais permanecem inundadas de publicações com fotos de pessoas desaparecidas, acompanhadas de descrições e números de telefone para receber informação.
Moradores frente às ruínas afirmam ter familiares com vida e reclamam maior presença de autoridades, apesar dos reforços chegados de 27 países, incluindo especialistas em resgate e cães de busca. Alguns residentes expressam preocupação pela disponibilidade de maquinário e pessoal suficiente para continuar os trabalhos de resgate.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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