Remover e eliminar: De Jackson a Trump
Em 1830, os EUA levaram a cabo sua primeira limpeza étnica sustentada juridicamente. Naquele ano o Congresso aprovou a Lei de Remoção Indígena, por isso entre 80 mil e 100 mil pessoas, à base de mentiras, foram desapossadas de suas terras ancestrais entre os montes Apalaches e o Mississippi, e trasladadas mais a oeste, em umas marchas cheias de doenças e morte custeadas pelo Governo: O intercâmbio "justo" que lhes deram os "brancos". Era isso ou a ilegalidade em território oficialmente estadunidense, isto é, a mesma morte.
Escreve o historiador Howard Zinn, em A outra história dos Estados Unidos:
"Se desocupou para semear algodão no Sul e grão no Norte, para a expansão, a imigração, os canais, as ferrovias, as novas cidades e para a construção de um imenso império continental que se estenderia até o Oceano Pacífico. O custo em vidas humanas não pode ser calculado com exatidão, e em sofrimentos, nem sequer de forma aproximada. A maioria dos livros de história que se dão às crianças passa de leve sobre esta época".
O tipo de vida agrário da maior parte da população branca norte-americana demandava mais terra cultivável e pastável, geração após geração. No Sul plantador e escravista, sobretudo. Isto significava, por suposto, pressionar sobre as terras indígenas. Por isso, durante as Guerras de Independência, os índios estiveram em sua grande maioria do lado dos britânicos, pois a Coroa havia começado pouco antes de 1776 a delimitar os domínios indígenas, ou seja, a protegê-los da constante pressão dos colonos sedentos de mais terras.
O presidente estadunidense da era da Lei foi Andrew Jackson, o ex-governador da Flórida, território que ajudou a despovoar de autóctones à base de violência antes de comprá-lo à Espanha a preço de ganga. Todo um personagem trumpiano da primeira metade do século XIX estadunidense foi Jackson. Zinn o resume assim: "Se revisamos os livros de texto da história americana nos institutos e nas escolas primárias, encontraremos o Jackson soldado fronteiriço, democrata e homem do povo —não o Jackson negrero, especulador imobiliário, executor de soldados dissidentes e exterminador de índios".
O primeiro que fez Donald Trump ao chegar à Sala Oval em 2017 foi pendurar um retrato de Jackson. Ambos se parecem, sobretudo, no racismo e a hostilidade às leis liberais e suas instituições, das quais se enorgulham os EUA. Jackson descumpriu maliciosamente as promessas aos indígenas norte-americanos, tanto quanto descumpriu as sentenças da Corte Suprema relativas aos direitos territoriais daqueles.
A administração Trump se as tem engenhado para, ao menos, desouvir visivelmente sentenças da Corte relativas a imigrantes, como no caso de Kilmar Abrego García, um cidadão que foi deportado por erro ao Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT) em El Salvador. A Corte Suprema dos Estados Unidos ordenou explicitamente à administração em abril de 2025 que "facilitasse" seu retorno e prestasse contas dos passos tomados. A administração, por suposto, não só não facilitou a volta de Abrego García, senão se negou a compartilhar informação acerca do deportado por "erro" seu. A AFP informou além disso que juízes de tribunais de distrito determinaram que a administração Trump violou ordens judiciais diretas em ao menos 31 ações coletivas.
O de Trump é um Governo à Jackson: Racista, classista, gangueiro, especulador, guerreiro e exterminador.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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