Relatório acusa empresa dos Emirados Árabes Unidos de recrutar mercenários colombianos para guerra no Sudão
Mercenários colombianos foram recrutados por uma empresa dos Emirados Árabes Unidos e transitaram por bases militares desse país para apoiar as tropas paramilitares que cometeram atrocidades no Sudão, reportou a Human Rights Watch (HRW).
Uma investigação elaborada por essa organização de direitos humanos indica que a empresa responsável por apoiar as Forças de Apoio Rápido (RSF, pela sigla em inglês) em Darfur tem vínculos com a família que governa os Emirados Árabes Unidos (EAU).
Segundo a HRW, os achados constituem uma prova adicional do apoio dos EAU às RSF, que foram acusadas de crimes de guerra durante o conflito sudanês, incluindo o massacre de civis na tomada da cidade de El Fasher.
No entanto, as autoridades dos EAU negam as acusações de que combatentes estrangeiros tenham sido recrutados e treinados em seu território.
Em uma declaração à BBC, o Ministério de Assuntos Exteriores do país afirmou:
"Emirados Árabes Unidos não permite que seu território seja utilizado para o recrutamento, o treinamento, o financiamento ou o trânsito de combatentes estrangeiros para nenhum conflito, incluindo o Sudão".
A HRW entrevistou mercenários colombianos entre março e setembro de 2025 e analisou fontes abertas para identificar localizações-chave e armas em vídeos e imagens.
A guerra do Sudão eclodiu em 15 de abril de 2023, após a crescente tensão entre as forças paramilitares das RSF e as Forças Armadas do Sudão (SAF).
Desde então, mais de 150.000 pessoas morreram em consequência da violência e mais de 12,9 milhões foram deslocadas para escapar do conflito.
O relatório da HRW segue os passos de uma investigação publicada no mês passado pela organização de análise de segurança Conflict Insights Group (CIG), que também destacou a suposta participação de mercenários colombianos em Darfur, a região ocidental do Sudão agora controlada em grande parte pelas RSF.
O relatório indica que se utilizaram aeroportos dos Emirados Árabes Unidos, Líbia, Chade e Somália como pontos de trânsito para os mercenários antes de viajar para as linhas de frente na região de Darfur.
"Não nos selaram os passaportes", declarou um mercenário ao grupo de direitos humanos, ao descrever sua viagem através de Abu Dabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos.
"Entramos e saímos, e havia um ônibus nos esperando para nos levar a uma base militar".
As investigações da HRW apontam para uma rede complexa de empresas colombianas e emiratíes que anunciavam
"trabalhos como pilotos de drones na África", direcionados a ex-militares do exército colombiano.
Uma empresa emiratí, que se suspeita ter vínculos com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, está acusada de utilizar
"infraestruturas controladas pelo Estado para trasladar os contratistas militares colombianos ao Sudão".
Diz-se que a Global Security Services Group (GSSG), sediada em Abu Dabi, recrutou os contratistas colombianos que foram despachados no Sudão para
"fornecer às RSF conhecimentos táticos e técnicos, desempenhando funções de infantaria e artilharia, pilotos de drones, operadores de veículos e instrutores".
Segundo os relatórios, os mercenários foram treinados em instalações militares dos EAU em Ghiyathi e Al Wathba antes de seu desdobramento encoberto em zonas de guerra do Sudão, onde foram cometidas graves violações dos direitos humanos.
Entre os crimes figuram execuções extrajudiciais em massa, violações e abusos sexuais em grupo, escravidão e tortura.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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