Reiterado o chamado ao diálogo para reduzir a tensão na Bolívia
O Legislativo da Bolívia, a Igreja Católica e outros mediadores convocaram a um novo intento de diálogo entre o Governo de Rodrigo Paz e os setores que exigem a renúncia do mandatário com bloqueios de rodovias iniciados há 25 dias que ocasionaram desabastecimento de alimentos e combustível.
A convocatória foi emitida pela oficina do vice-presidente do país e titular da Assembleia Legislativa, Edmand Lara, em coordenação com a Igreja Católica e a Defensoria do Povo, para dialogar neste domingo à tarde no Seminário San Jerônimo, em La Paz, sede do Governo e do Legislativo.
O convite sinaliza que "se espera a participação do presidente do país, Rodrigo Paz; da Central Obrera Boliviana (COB)", da Confederação de Mulheres Camponesas 'Bartolina Sisa', da Federação Departamental de Camponeses de La Paz 'Tupac Katari' e outras organizações envolvidas nos protestos.
"A Bolívia atravessa momentos que exigem responsabilidade, desprendimento e compromisso com a paz. A ausência de diálogo apenas aprofunda as diferenças e adia as soluções que demanda o povo boliviano", acrescenta o comunicado.
Pedem que Paz saia. Os camponeses de La Paz e a COB, junto com outras organizações e seguidores do ex-presidente Evo Morales (2006-2019), exigem a renúncia de Paz, devido a um suposto descumprimento das promessas do Governo, ao qual também acusam de querer privatizar empresas e serviços, o que negam as autoridades.
O máximo dirigente da COB, Mario Argollo e outros líderes sindicais foram acusados de suposto terrorismo e instigação pública a delinquir, em razão dos protestos que resultaram em enfrentamentos com a Polícia, distúrbios e saque de escritórios públicos e privados em La Paz.
A comissão de diálogo se reuniu na quarta e quinta-feira com dois ministros, mas não compareceu nenhum representante da COB, nem dos sindicatos camponeses, que exigiam anular as ordens de captura contra seus líderes, o que ocorreu na sexta-feira por ordem de um tribunal de La Paz.
A COB suspendeu a reunião que deveria definir se participaria ou não do diálogo e os líderes camponeses deixaram a decisão nas mãos de suas "bases", embora haja setores mais radicais, como os seguidores de Morales, que rejeitam qualquer negociação e insistem na renúncia de Paz, quem assumiu a Presidência em novembro do ano passado.
La Paz e a vizinha cidade de El Alto são as mais afetadas pelos bloqueios de rodovias iniciados em 6 de maio, que provocaram um problema de desabastecimento de alimentos, cujos preços dispararam, além da falta de combustíveis, medicamentos e oxigênio medicinal.
Cortes de rota
Os bloqueios de rotas se estenderam desde a semana passada às regiões de Oruro, Potosí, Cochabamba, Chuquisaca e Santa Cruz e neste sábado superavam os 90 em todo o país, segundo o Governo. Na sexta-feira, o Ministério da Saúde conseguiu distribuir 486 cilindros de oxigênio medicinal a dez hospitais de La Paz e El Alto, mas alertou que é uma medida "de caráter paliativo" e insistiu em pedir aos manifestantes que permitam a passagem de caminhões que transportam esse insumo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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