Reforma agrária no Paraguai: Avanços e desafios na regularização de terras
Resposta institucional ante demandas de reforma agrária
Após a mobilização de organizações camponesas, comunidades indígenas e comissões vizinhas em Assunção com reivindicações de reforma agrária e habitação, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert) comunicou sobre as limitações orçamentárias que enfrenta para responder a essas demandas.
Francisco Ruiz Díaz, titular do Indert, apontou que os reclamos dos manifestantes para a execução de fundos para habitações sociais, a atribuição de terras para os povos originários e o aumento de recursos para a instituição, veem-se limitados pelas alocações orçamentárias disponíveis.
O funcionário reconheceu que existe uma percepção no setor campesino sobre os limites na capacidade de resposta operativa da instituição. "O Indert chegou ao tope de sua capacidade operativa, é o que pode fazer com o orçamento que tem designado", expressou em comunicação radiofônica.
Dados sobre regularização de terras
A reforma agrária no Paraguai reflete um processo histórico que se estende por mais de um século. De acordo com dados oficiais, em 122 anos de vigência, o Estado paraguaio adquiriu quase cinco milhões de hectares de terra, dos quais transferiu menos de 10% a seus ocupantes.
Ruiz Díaz atribuiu essa situação à ineficiência burocrática acumulada durante o período, o que contribuiu para uma alta concentração de terras no país.
Programa de titulação massiva e modernização
A instituição implementou um programa de titulação massiva que conseguiu formalizar 4% das terras em apenas três anos. Este avanço representa uma mudança de ritmo em relação aos registros históricos.
O Indert identifica na modernização de sistemas um fator chave para acelerar o processo. A digitalização de arquivos constitui um desafio significativo, já que atualmente uma parte considerável da documentação se mantém em formato analógico.
"O problema de 122 anos não vamos resolver em cinco, éramos conscientes das urgências", expressou o titular da instituição, acrescentando que se requer a digitalização integral de todos os arquivos e processos para melhorar a transparência e disponibilidade de informação.
A falta de digitalização gerou situações onde cidades inteiras, como Coronel Oviedo, se assentam sobre terras públicas que não figuram nos registros públicos formais.
Impacto econômico da regularização
Segundo Ruiz Díaz, os conflitos derivados da falta de regularização de terras geram uma perda econômica anual equivalente a 2% do produto interno bruto (PIB), o que representa aproximadamente 1.000 milhões de dólares.
Pelo contrário, a formalização de lotes funciona como impulsora do desenvolvimento produtivo. "Quando se entrega um título de propriedade a um campesino, sua produtividade pode aumentar entre 40 a 82%", apontou o funcionário, destacando os benefícios econômicos da regularização formal de propriedades.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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