Qual é a situação doze dias após o início da crise na FIFA?
Guerra de comunicados ensombrece o futebol mundial enquanto Infantino enfrenta pressão de confederações
Uma guerra a golpe de comunicados ensombrece o futebol mundial: as esperanças do asediado presidente da FIFA, Gianni Infantino, de que houvesse um período de reflexão após sua denúncia de "um esforço concertado e contínuo" para sabotá-lo ficaram em ruínas nesta segunda-feira.
Passou mais de uma semana desde que Infantino retirou seu plano de captar investimento privado para uma nova filial comercial, FIFA Forward Enterprise (FFE), que se encarregaria de gerir a área comercial dos Mundiais.
Três confederações —UEFA (Europa), Concacaf (América do Norte, América Central e Caribe) e CAF (Ásia)— o atacaram com dureza nesta segunda-feira.
"A liderança no futebol não é uma possessão. Não se trata de conservar —ou exigir— o poder para si mesmo... Quando a confiança se rompe através da enganação, quando um indivíduo se situa acima do coletivo que lhe confiou a autoridade, esse dever foi abandonado", assinalaram em uma carta aberta.
Qual é a situação doze dias após o início da crise?
A década no poder do suíço de 56 anos e o aumento do financiamento às 211 associações filiadas geraram frutos.
A Confederação Africana de Futebol (CAF) —um de cujos membros mais destacados, Marrocos, é coanfitrião do Mundial 2030 junto a Espanha e Portugal— permanece ao seu lado.
A Conmebol (América do Sul) também é favorável, embora tenha criticado a maneira em que se concebeu e se geriu o plano de privatização e declarado que o futuro de Infantino deveria ser decidido apenas nas eleições presidenciais de Rabat no próximo março.
Além disso, várias associações nacionais se desmarcaram de suas respectivas confederações e expressaram apoio a Infantino, entre elas um dos coanfitrião do Mundial de 2026, México, da Concacaf, e Kuwait e Catar, da AFC.
A UEFA lidera a rebelião, seguida pela Concacaf e pela AFC.
A ameaça da confederação europeia de boicotar todas as competições da FIFA, incluindo os Mundiais masculino e feminino, é considerada como o fator que obrigou Infantino a pedir "desculpas".
Mas reiterou seu boicote no dia seguinte a Infantino receber o "total apoio" dos altos diretivos da FIFA e durante alguns dias não encontrou respaldo entre as outras confederações, até que nesta segunda-feira Concacaf e AFC se uniram na "carta aberta à família do futebol".
O boicote da UEFA enfrentará sua primeira prova em setembro, quando a Polônia sediará o Mundial feminino sub-20.
Um dos mais acérrimos opositores de Infantino, a Federação Norueguesa e sua presidenta Lise Klaveness, pediram a demissão de Infantino na sexta-feira.
Além da Noruega, outras associações se mostraram contrárias à sua continuidade, entre elas Dinamarca, Finlândia, Suécia, Sérvia e País de Gales.
As eleições presidenciais, nas quais Infantino busca um quarto e último mandato de quatro anos, se celebrarão durante o Congresso da FIFA em 18 de março de 2027.
O prazo limite para que um candidato se apresente contra Infantino é 18 de novembro e por enquanto ninguém deu um passo à frente.
A história demonstra que é quase impossível derrotar um presidente em exercício —o último a conseguir foi o brasileiro João Havelange, que derrotou o inglês Stanley Rous em 1974.
Entretanto, se seus opositores querem que Infantino caia antes, existem outras possibilidades.
Poderiam ativar uma moção de censura. Isto requer que 20% das associações filiadas (43) a solicitem, o que colocaria em marcha um Congresso extraordinário da FIFA.
À popularidade crescente de Klaveness se une o atrativo de que os dois cargos mais poderosos do esporte estivessem ocupados por mulheres —Kirsty Coventry foi eleita presidenta do COI no ano passado.
Victor Montagliani, o presidente da Concacaf, anteriormente próximo a Infantino, se distanciou e é outro possível candidato.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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