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Cultura

Publicam obra teatral inédita de Demetrio Ortiz sobre a realidade social paraguaia

Peça escrita nos anos 1950 retrata vivências de famílias durante a Revolução de 1947

17/10/2026 05:00 3 min lectura 43 visualizações

Editorial Rosalba publica a obra teatral inédita de Demetrio Ortiz, compositor, poeta e dramaturgo reconhecido. A peça, intitulada "Anivéna karaikuéra, ñane retã rayhupápe", foi escrita no início da década de 1950 e representa um olhar profundo sobre a realidade social durante a Revolução de 1947.

Origem da obra

Segundo explica María Esperanza Ortiz, filha do autor, a interpretação dos fatos de 1947 na obra se baseia nos relatos de sua mãe, Elida Maidana de Ortiz. Durante esse período, Demetrio Ortiz encontrava-se em turnê pela Argentina como parte da Embaixada Artística Paraguaia, sob a direção do maestro Herminio Giménez. Sua então namorada pode presenciar e vivenciar os eventos revolucionários desde a perspectiva de uma família alheia à política, experiências que posteriormente compartilhou com o compositor.

A obra nasceu a partir de um poema em guarani que Ortiz escreveu baseando-se nos relatos sobre famílias paraguaias que, sem intenção de se envolverem, terminaram envolvidas na guerra fratricida e posteriormente se viram obrigadas a emigrar. Trata-se de uma peça teatral em três atos que situa sua história no Paraguai convulsionado de meados do século XX.

Características da composição

"O objetivo é levar ao formato literário o roteiro original da obra escrita por meu pai entre 1952 e 1953. O guarani que utilizou foi o jopara, que era o utilizado pelas famílias paraguaias diariamente", comenta María Esperanza Ortiz. A obra apresenta uma família humilde atravessada pelas consequências da violência partidária da época.

O resgate do texto realizou-se a partir dos cadernos utilizados pelo autor e dos roteiros datilografados para a primeira representação completa em 3 atos, que ocorreu em 10 de setembro de 1956. A correção editorial foi mínima, focando-se principalmente na identificação precisa das palavras em guarani e nas expressões de jopara, incluindo os diálogos particulares de personagens específicos.

Apresentação em cena ao longo dos anos

A criação chegou ao palco em 1956, no Teatro Apolo de Buenos Aires, sob a direção de César De Brix. Posteriormente, a obra foi apresentada em diferentes espaços e momentos:

Em 1995, foi apresentada em Assunção, na Aliança Francesa, com o grupo de teatro TEL, sob a direção dos professores Rudy Torga e Pedro Moliniers. Em 2006, foi apresentada no Teatro IFT de Buenos Aires, com atores paraguaios radicados na Argentina, e posteriormente transferida nesse mesmo ano para a sala García Lorca da Manzana de la Rivera. A última apresentação em cena ocorreu em 2016, com direção de Lucio Sandoval, no Teatro Municipal Ignacio A. Pane.

Uma reflexão sobre a unidade nacional

No libreto, Ortiz converte a dor das famílias afetadas em uma profunda reflexão sobre o Paraguai e em um chamado à unidade. Utilizando o guarani como língua de expressão, denuncia o abuso de poder e o sofrimento dos setores mais vulneráveis, enquanto reivindica o amor à pátria e a necessidade de superar as divisões políticas e sociais.

Projetos futuros

A Fundação Demetrio Ortiz, presidida por Esperanza Ortiz, dispõe de um amplo acervo vinculado à carreira artística do criador. "O projeto mais próximo é continuar apresentando o livro em outros espaços e outras cidades do interior. Depois levá-lo a Buenos Aires, para em seguida começar a resgatar o material para o Poemário de Demetrio Ortiz", indica Esperanza Ortiz.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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