Problemas de saúde mental golpeiam Concepción e faltam profissionais
O crescente consumo de entorpecentes e o aumento dos transtornos psicológicos e psiquiátricos no Departamento de Concepción converteram-se em uma preocupação cada vez maior para as autoridades sanitárias, organismos de segurança e diversos setores da sociedade. A situação se agrava pela falta de especialistas em saúde mental e pela ausência de um centro especializado para a reabilitação de pessoas com problemas de dependência química.
Atualmente, a Unidade de Saúde Mental (USM) de Concepción registra cerca de 8 mil pacientes em acompanhamento, um número que reflete a crescente demanda de atendimento na área. Porém, o serviço conta com um único médico psiquiatra, o doutor Joel Aguilar, que junto a uma equipe de psicólogas atende mensalmente entre 400 e 500 consultas.
O diretor da Primeira Região Sanitária, doutor Cecilio Roig, reconheceu que a escassez de profissionais especializados constitui um dos principais desafios para fortalecer a atenção em saúde mental no norte do país.
"O problema é que não há médicos especialistas que queiram vir a Concepción. O Ministério da Saúde tem as rubricas disponíveis, mas não conseguimos profissionais para cobrir esses cargos", explicou.
A situação também limita a capacidade de resposta ante casos mais complexos. Embora a Unidade de Saúde Mental disponha de um pavilhão com algumas salas destinadas à internação, atualmente não pode receber pacientes psiquiátricos graves pela falta de recursos humanos e equipamentos necessários. Além do déficit de pessoal, é necessário mobiliário e outros investimentos para habilitar plenamente o serviço.
"Se há psiquiatra interessado em trabalhar em Concepción com prazer o vamos contratar", disse a governadora Dra. Liz Meza, que encabeça as gestões perante as autoridades nacionais.
Diante deste panorama, as autoridades sanitárias buscam alternativas para ampliar a cobertura e melhorar a assistência. O diretor regional informou que nesta terça-feira mantiveram uma reunião com a ministra de Saúde Pública durante a qual foram abordadas as necessidades urgentes do setor, especialmente aquelas relacionadas à saúde mental e às dependências químicas.
Um dos projetos que avança é a criação de um Centro de Reabilitação para Pessoas com Problemas de Dependência Química. A iniciativa contempla a utilização de instalações localizadas na Aldeia SOS, a cerca de 22 quilômetros da cidade de Concepción, sobre a rota PY05.
"Estamos esperando uma nova verificação do espaço onde acreditamos que pode funcionar o processo de reabilitação depois da etapa de desintoxicação", apontou Roig.
A necessidade de contar com um centro especializado adquiriu ainda mais relevância após o violento episódio ocorrido na semana passada em Concepción, quando um homem manteve como refém uma trabalhadora durante várias horas. O fato culminou com a morte do agressor e deixou ferida a mulher. O caso gerou forte comoção social e reavivou o debate sobre os problemas de saúde mental e o consumo de drogas que afetam a população.
Autoridades sanitárias e referentes comunitários concordam que o fortalecimento dos serviços de saúde mental e a implementação de programas de reabilitação são fundamentais para prevenir situações de risco e oferecer oportunidades de recuperação para quem enfrenta problemas de dependência ou transtornos psiquiátricos.
Enquanto isso, a demanda de atendimento continua crescendo em Concepción, onde milhares de pacientes dependem de um sistema que busca responder a uma problemática cada vez mais complexa e visível na sociedade.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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