Por que o escândalo de uma cascata em uma piscina colocou em apuros Javier Milei na Argentina
A popularidade do presidente argentino atinge seu nível mais baixo desde dezembro de 2023, enquanto denúncias de corrupção contra seu chefe de gabinete dominam a agenda
O jornal britânico Financial Times, especializado em temas econômicos e políticos, revelou esta semana que a popularidade do presidente argentino Javier Milei é a mais baixa desde que iniciou seu governo em dezembro de 2023.
A pesquisa que evidenciou a queda no apoio social do mandatário foi realizada pela firma Atlas Intel e revela que 63% dos argentinos desaprovam a gestão presidencial.
De acordo com analistas, além da crise econômica na qual a queda do consumo e o aumento da inflação pressionam a gestão de austeridade proclamada pelo governo, escândalos de corrupção estão minando a confiança no chamado governo libertário.
Especialmente em relação a um nome: Manuel Adorni, chefe de gabinete e porta-voz do governo de Milei, que tem estado envolvido em uma série de acusações por enriquecimento ilícito que não pararam de gerar manchetes nos meios de comunicação locais e internacionais.
Esta semana, por exemplo, Matías Tabar, um contratista especializado em reformas residenciais, declarou em uma investigação judicial que Adorni lhe havia pagado em dinheiro vivo e em dólares aproximadamente US$250.000 para fazer obras em uma residência localizada em um condomínio exclusivo no oeste de Buenos Aires.
A reforma incluía uma piscina feita em mármore e com uma cascata, que foi paga em dinheiro vivo sem que fosse apresentado um recibo de pagamento.
A essa denúncia somam-se a de uma viagem em jato privado para a cidade uruguaia de Punta del Este, a viagem de sua esposa Bettina Angeletti para Nova York no avião presidencial em meio a uma missão oficial, e outras despesas que, de acordo com a investigação judicial em andamento, não correspondem com o nível de salário oficial do chefe de gabinete.
Apesar dessas denúncias, tanto Javier Milei quanto sua irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei, expressaram seu apoio sem reservas a Adorni, quem nega qualquer atuação ilícita e afirma que está à disposição da justiça.
Na semana passada, tanto os irmãos Milei quanto outros integrantes do gabinete de governo acompanharam o funcionário investigado ao Congresso para apoiá-lo em sua exposição perante os legisladores.
Para além das medições de popularidade em queda, jornais locais evidenciaram o desconforto que a situação de Adorni causou no interior do governo, onde indicam que a agenda da Casa Rosada tem sido ofuscada por um escândalo que não termina.
"Mas o que ninguém no gabinete se atreve a dizer em público ou aos próprios irmãos Milei é que o caso 'já leva dois meses com a agenda completamente tomada' e 'sem poder sair daí' para um governo que precisa ativar sua gestão", aponta a jornalista Cecilia Deviana, do jornal argentino La Nación.
Até 2023, Manuel Adorni foi um jornalista radialista e colunista de jornais na Argentina, com algumas incursões menores na política. Quando Milei se torna presidente, lhe oferece o cargo de porta-voz oficial do governo recém-ascendido.
Seu estilo virulento, questionado muitas vezes por seus ataques à imprensa, o converteu em uma das figuras centrais do entorno mileísta, junto ao assessor presidencial Santiago Caputo.
Em outubro de 2025, após a vitória do partido de Milei nas eleições legislativas, Adorni foi nomeado chefe de gabinete, um dos postos mais importantes dentro do Executivo argentino.
Porém, em março deste ano, uma publicação evidenciou que sua esposa havia viajado junto ao funcionário no avião presidencial em uma missão oficial para Nova York, sem ter nenhuma função oficial.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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