Por que Iberostar e Blue Diamond, duas cadeias hoteleiras chave na indústria turística de Cuba, abandonam operações na ilha "com efeito imediato"
Colapso energético e pressão dos Estados Unidos forçam saída de importantes grupos hoteleiros
O grupo espanhol Iberostar e o canadense Blue Diamond, duas das cadeias hoteleiras mais importantes em Cuba, cessaram total ou parcialmente suas operações na ilha impulsionados pelo colapso energético e pela pressão dos Estados Unidos.
No caso da Iberostar, o segundo maior grupo hoteleiro da ilha, a decisão afeta 12 dos 16 estabelecimentos que opera em Cuba, especificamente os que pertencem à Gaviota, uma filial da Gaesa (Grupo de Administração Empresarial S.A.), o conglomerado empresarial das Forças Armadas cubanas.
A empresa mantém sua presença em outros quatro hotéis que gerencia na ilha e que pertencem a outros grupos não vinculados à Gaesa, entre eles Cubanacán e Gran Caribe.
Blue Diamond, a terceira hotelera de Cuba, anunciou na sexta-feira passada que cessava todas as suas operações na ilha "com efeito imediato". A cadeia operava dezenas de hotéis sob as marcas Royalton, Resonance, Starfish, Memories e Mystique, principalmente em Havana, Varadero e Cayo Largo del Sur.
A decisão representa "outro golpe para a indústria turística cubana que já se encontra abalada", segundo explica o correspondente da BBC em Cuba, Will Grant.
A retirada das hoteleiras ocorre em meio a uma campanha de máxima pressão exercida pela Administração Trump sobre Cuba, que incluiu um embargo petrolífero de vários meses de duração em uma tentativa de obrigar o governo da ilha a empreender mudanças radicais.
Recentemente, além disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que promete sancionar a partir de 5 de junho todas as pessoas ou empresas que mantenham vínculos econômicos com Gaesa.
Nenhuma das duas hoteleiras vinculou oficialmente as pressões dos Estados Unidos como motivo para cessar suas operações em Cuba, embora Iberostar indique que tomou a decisão "como parte de um processo de adaptação ao ambiente regulatório internacional e com o propósito de preservar os padrões de qualidade, cumprimento e gestão que distinguem a companhia".
A partir de 1º de junho de 2026, indicou em comunicado a empresa com sede em Mallorca, os 12 estabelecimentos de Gaviota que operava em Cuba "deixarão de ser gerenciados, comercializados ou promovidos sob a marca Iberostar".
Blue Diamond alega como motivo de sua saída de Cuba "as contínuas limitações operativas e as condições do mercado".
As hoteleiras não são os únicos parceiros econômicos importantes que se retiraram ou reduziram suas operações em Cuba nas últimas semanas, recorda Will Grant.
A empresa mineradora Sherritt, também canadense, suspendeu sua joint venture em Cuba no setor de extração de níquel e cobalto. E várias companhias aéreas europeias suspenderam os voos para a ilha, devido ao fato de que não conseguem reabastecer em Havana.
"Enquanto isso, a situação para os cubanos comuns continua sendo crítica, com longos apagões quase todos os dias, muitos hospitais que mal funcionam e escolas e empresas afetadas", explica o enviado da BBC em Havana.
Em meados de maio, o ministro de Energia cubano, Vicente de la O Levy, reconheceu que a ilha tinha ficado sem combustível.
As reservas de gás eram limitadas, disse em uma entrevista com meios de comunicação estatais, e o sistema energético cubano se encontrava em uma situação crítica devido ao embargo petrolífero imposto pelos Estados Unidos, que reduziu drasticamente as importações.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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