Por que é impossível prever o momento preciso de um terremoto?
Detecção e frequência de terremotos
A cada ano o Centro Nacional de Informação sobre Terremotos do Serviço Geológico dos EE.UU. (USGS) detecta e localiza aproximadamente 20 mil terremotos em todo o mundo, o que equivale a cerca de 55 por dia. Alguns são de baixa intensidade, enquanto outros, como o doblete sísmico que afetou a Venezuela em 24 de junho, ocasionam numerosas vítimas fatais e causam o colapso de estruturas ao longo de quilômetros.
De acordo com registros que datam desde aproximadamente 1900, estima-se que a cada ano ocorram cerca de 16 terremotos de grande magnitude: 15 na faixa de magnitude 7 e um de magnitude 8 ou superior, segundo o USGS.
A diferença com outros desastres naturais
No caso de outros fenômenos naturais como os furacões, as previsões científicas permitem evacuar com antecedência as zonas que poderiam ser afetadas e, em consequência, salvar vidas. No entanto, quando se trata de terremotos, não é possível realizar prognósticos precisos sobre seu momento de ocorrência.
Compreender a origem dos terremotos
Os terremotos são gerados pela liberação súbita de tensão que vai se acumulando gradualmente devido aos movimentos de placas tectônicas ao longo de uma falha geológica. Para prever um terremoto com exatidão seria necessário conhecer três variáveis fundamentais: onde terá lugar, sua magnitude e o momento em que se produzirá.
Antonio Morales Esteban, catedrático de engenharia do terreno da Universidade de Sevilha e especialista em engenharia sísmica, aponta que os cientistas podem conhecer com certa exatidão dois desses parâmetros: a localização e a magnitude.
Como se determinam localização e magnitude
Segundo Morales Esteban, os terremotos se produzem em falhas que foram estudadas geologicamente. Em função do tamanho dessas falhas, da velocidade em que se deslocam e suas características particulares, os especialistas podem inferir a magnitude máxima que são capazes de produzir. Além disso, existem outros parâmetros que podem ser determinados, como o número médio de terremotos anuais em uma zona.
O desafio de prever o momento exato
A principal dificuldade reside em prever o instante preciso em que ocorrerá um terremoto. Morales Esteban explica que isto se deve à própria natureza dos terremotos, que se produzem pelo contato entre duas placas em uma falha. Essas falhas acumulam tensão de forma gradual, similar a quando se juntam dois punhos, se apertam e se deslizam um contra o outro acumulando esforço. Há atrito entre eles, mas não ocorre nada visível até que, de uma forma imprevisível, se produz um deslizamento súbito.
Os cientistas sabem que a tensão está se acumulando nas grandes falhas durante décadas ou até mesmo séculos, mas não existe forma de decifrar em que momento se cruzará um limiar de resistência e se liberará essa tensão acumulada.
As forças tectônicas permanentes
Arturo Belmonte, professor especialista em sismologia no Departamento de Geofísica da Universidade de Concepción no Chile, explica que as forças tectônicas são permanentes e estão sempre empurrando com diferentes níveis e intensidades. As rochas têm a capacidade de resistir a essa acumulação de carga até que efetivamente se supere um limiar de resistência.
Belmonte utiliza uma analogia ilustrativa: é similar a quebrar um lápis de madeira. O lápis não se quebra imediatamente, mas deve-se aumentar a pressão gradualmente até que, após continuar insistindo, vai se dobrando e de repente supera certo limiar e se quebra. Nos terremotos ocorre basicamente o mesmo processo.
Períodos de retorno sísmico
Os cientistas podem determinar que a liberação de tensão ocorre a cada certo período, que pode se estender desde dezenas até centenas de anos, conforme a zona onde se localize a falha.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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