População indígena continua sofrendo um "trato à parte" do Estado
É o Estado, assim como todas as instituições públicas, os que devem velar pela comunidade indígena, mas isto está muito longe da realidade. Muitas vezes essa população recebe apenas um "trato à parte", como se fosse um assunto do INDI (Instituto Nacional do Indígena) somente, explicou Claudia Sanabria, especialista em Direitos da Infância e comissionada do Mecanismo Nacional de Prevenção da Tortura (MNP).
O tema retornou ao debate após a atrocidade cometida contra uma menina de apenas 5 anos, de uma comunidade indígena, estrangulada após ser abusada, sendo os suspeitos o irmão e um amigo, o que levantou os alarmes.
O fato ocorreu na localidade de Aba'í, Departamento de Caazapá, considerado atualmente como "um dos departamentos que apresenta maior índice de pobreza", diz Sanabria.
Focando na infância, existe um Mapa de Desprotecção, que revela que em Caazapá a maioria das crianças e adolescentes sofre desprotecção: por violência sexual ou pobreza, segundo CDIA Observa.
Também, o Instituto Nacional de Estatística (INE) expôs que em Aba'í vivem mais de 2.780 famílias com ao menos uma necessidade básica insatisfeita.
CULTURA NÃO HUMANA. A comissionada expõe que as comunidades indígenas carregam discriminações acumulativas, mais quando se trata de acesso a condições de vida, apoio familiar e acompanhamento.
"Se existem políticas públicas no território (saúde, educação, emprego, moradia) não chegam às famílias indígenas", diz.
¿Isso por quê? Pela escassa pertinência cultural. Uma política pública deveria contemplar a totalidade da população em um território.
"É inevitável mencionar, quando falamos de comunidades indígenas, o processo de exclusão e desigualdade ao qual estão submetidas, impulsionadas pelo avanço das políticas econômicas que as deixam empobrecidas e relegadas", lamenta.
E o que acontece com a infância e adolescência indígena? A situação deles é mais grave, porque enfrentam uma condição de maior vulnerabilidade pela pobreza.
Por outro lado, o desenvolvimento "as rodeia" mas não oferece oportunidades para incluí-las nele, desde sua perspectiva e seu sentir, sustenta Sanabria.
A responsabilidade? O também comissionado do MNP, Óscar Ayala Amarilla, fala de uma "desestruturação familiar e comunitária", que se somam à falta de educação, saúde e oportunidades que tendem a gerar "entornos de muita vulnerabilidade", onde inclusive está a violência.
Ele refere que o Estado é indiretamente responsável, por essa falta de políticas de proteção e desenvolvimento das comunidades, "situação que impulsionou numerosas comunidades indígenas à marginalização, ao alcoolismo e ao consumo de outras drogas".
Neste ponto coincidiu Claudia Sanabria.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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