Plaza Uruguaya, o jardim público mais antigo do Paraguai
Uma praça com profundas raízes históricas
Os arquitetos Marli Delgado e Carlos Zárate, docentes e criadores da cátedra de História da Arquitetura da Paisagem no Paraguai da Faculdade de Arquitetura, Design e Arte (FADA) da Universidade Nacional de Asunción (UNA), são autores do relatório intitulado "Plaza Uruguaya. Características do design original do jardim público mais antigo do Paraguai". Este trabalho foi financiado pelo Fondo Municipal para la Investigación de las Artes y la Cultura (FOCMA) em sua convocatória do ano 2024.
Origens e evolução do espaço público
Durante a época colonial e até nas primeiras décadas do século XIX, o terreno que hoje ocupa a Plaza Uruguaya era uma zona periférica, distante do núcleo edificado principal que se estruturava ao redor da praça de Armas. Originalmente constituía uma extensão do antigo convento franciscano, denominação que se refletia em seu primeiro nome: praça San Francisco. Em seus inícios abrigava edificações precárias ocupadas por antigos escravos do convento.
Após a expropriação do convento durante a administração do Dr. José Gaspar Rodríguez de Francia e o deslocamento progressivo dos ocupantes do terreno, o espaço começou a adquirir um uso público mais intensivo. Esta mudança foi incentivada significativamente a partir do ano 1860, com a criação da estação central da ferrovia localizada em frente ao terreno. A praça funcionou então como espaço de transição para quem aguardava a saída de trens ou chegava à capital sem destino fixo.
Durante os anos de ocupação estrangeira no contexto da guerra contra a Tríplice Aliança, o terreno foi ocupado por tropas do exército brasileiro. Estas circunstâncias facilitaram gradualmente seu arborizamento durante a década de 1870, até que surgiu finalmente um projeto de design no final do ano 1884.
O traçado original e sua denominação
O traçado da Plaza Uruguaya foi proposto em 1884 e aprovado oficialmente em 1885, ano em que também mudou seu nome de praça San Francisco para Uruguaya, em homenagem à chegada da comitiva daquele país para a devolução de troféus de guerra. Durante os 35 anos seguintes foram executados reiterados trabalhos que implementavam progressivamente o originalmente projetado, incorporando elementos de ornamentação que não alteravam o traçado proposto.
O design se caracteriza por eixos estreitos e sinuosos com visual restrita. Para quem acessa o terreno a partir de qualquer um dos quatro cantos, esta configuração confere a impressão de um parque com traços românticos e até mesmo misteriosos, tal como se documentava em fotografias da década de 1920.
Culminação do projeto original
O impulso decisivo para a implementação definitiva do projeto provém de iniciativas realizadas no início dos anos seguintes, que permitiram levar a cabo a inauguração do design definitivo em 1919. Este processo de mais de três décadas reflete a importância que a sociedade paraguaia atribuía à transformação deste espaço público em um jardim de características arquitetônicas e paisagísticas distintivas.
Significância patrimonial
A pesquisa de Delgado e Zárate documenta a importância da Plaza Uruguaya como referente na história do design de espaços públicos no Paraguai. O estudo estabelece também os passos que devem ser seguidos em todo procedimento de restauração de um jardim histórico, proporcionando critérios técnicos fundamentais para a preservação deste patrimônio público.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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