Peña duro com o Mercosul sobre o reparto de cotas: "Não emprestei meu voto para deixar a integração de lado"
A implementação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia foi um dos principais eixos do discurso do presidente Santiago Peña durante a Cúpula de Presidentes do Mercosul realizada em Assunção.
Embora o mandatário tenha ratificado o apoio do Paraguai ao tratado comercial e defendido o processo de integração regional, deixou uma mensagem clara ao resto dos sócios do bloco: a distribuição das cotas de acesso ao mercado europeu deve contemplar as assimetrias entre os países e garantir um reparto justo dos benefícios.
Peña recordou que o Paraguai acompanhou a assinatura do acordo convencido de que representava uma oportunidade histórica para o Mercosul, mas reconheceu que a etapa de implementação deixou preocupação no Governo paraguaio pela forma como se discute a atribuição das cotas.
"O Paraguai colocou sua assinatura para que todos os países ganhássemos", afirmou o Presidente, embora reconhecesse que, uma vez alcançado o acordo, "ficou um gosto amargo" ao começar o debate sobre sua implementação.
O mandatário foi enfático ao sustentar que a posição paraguaia não responde a um reclamo conjuntural, mas a um princípio de justiça dentro do bloco regional.
"Não é um capricho, é uma questão de justiça", expressou, ao defender que o Mercosul deve respeitar as assimetrias que existem entre seus sócios e evitar que os benefícios do acordo se concentrem nas economias de maior tamanho.
Durante sua intervenção, Peña recordou que o Paraguai continua enfrentando desvantagens estruturais por sua condição de país sem litoral marítimo, o que implica maiores custos logísticos para acessar os mercados internacionais. Nesse contexto, sustentou que a distribuição das cotas deve tornar-se uma ferramenta para equilibrar essas diferenças e não para aprofundá-las.
"Quando falamos de cotas não pedimos privilégios, pedimos equidade", afirmou.
O Presidente também fez referência à experiência da cota Hilton como antecedente das dificuldades que historicamente enfrentou o Paraguai para acessar em igualdade de condições o mercado europeu e assegurou que as assimetrias "não se resolvem com declarações de princípios, mas com resultados concretos".
Em um dos trechos mais firmes de seu discurso, alertou que "se o Mercosul quer ser credível para fora, primeiro deve ser justo para dentro", ao mesmo tempo em que questionou que o bloco não pode aspirar a consolidar-se internacionalmente se não garante igualdade de oportunidades entre seus próprios membros.
Peña insistiu em que o Paraguai não busca vantagens especiais, mas as condições necessárias para avançar em seu processo de industrialização e agregar valor a sua produção. "Não pedimos vantagens, pedimos o espaço para nos desenvolvermos", sustentou, ao remarcar que as economias mais grandes do bloco atravessaram esse mesmo processo décadas atrás.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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