Peña destaca autonomia do BCP ante saída de Carmen Marín e rejeita uso de fundos do IPS
Autonomia e independência do Banco Central
O presidente da República, Santiago Peña, referiu-se à saída da diretora do Banco Central do Paraguai, Carmen Marín, sinalizando que sua renúncia deve ser entendida dentro do marco de autonomia e independência institucional do BCP. Afirmou que o Poder Executivo não intervém nas decisões administrativas da banca matriz e que a gestão deste tipo de situações corresponde ao âmbito técnico.
Peña indicou que Carmen Marín, que foi membro da Diretoria do Banco Central até pouco tempo atrás, havia sido designada durante o governo anterior e se encontrava a meses de completar seu período constitucional. Precisou que sua saída não constitui um antecedente sem precedentes, embora tenha reconhecido que se trata de uma situação que não ocorreu com frequência na história do país.
O mandatário enfatizou que o Banco Central conta com autonomia e autarquia reconhecidas pela Constituição Nacional de 1992. Explicou que estas garantias buscam preservar a independência da instituição e evitar que suas decisões estejam sujeitas às diretrizes do Governo.
"O Poder Executivo não está, esta não é uma Secretaria de Estado, este não é um ministério, este não é um ente público", manifestou ao se referir às atribuições do Executivo sobre o BCP.
Também sustentou que as designações dentro da instituição seguem um procedimento que inclui a confirmação do Congresso Nacional.
Situação financeira e manejo técnico
Consultado sobre a situação financeira do ueno bank e a existência de um possível descasamento financeiro, Peña evitou emitir uma opinião e sinalizou que este tipo de questões deve ser tratado em um âmbito técnico, separado da discussão política.
"O manejo tem que ser um manejo técnico, totalmente separado do manejo político", afirmou. Acrescentou que no sistema financeiro paraguaio já se registraram anteriormente situações de entidades com dificuldades.
O presidente mencionou que o sistema bancário registrou ganhos próximos a USD 800 milhões até setembro, resultado que atribuiu à intermediação financeira, ou seja, à diferença entre os juros que os bancos pagam pelos depósitos e os que cobram pelos créditos.
Rejeição a proposta de fundos previdenciários
Peña foi consultado sobre a proposta apresentada por Carlos Pereira, ex-assessor da presidência do Instituto de Previdência Social (IPS), que propunha utilizar USD 30 milhões do fundo de contingência da previdenciária para adquirir ações do ueno bank.
O mandatário afirmou que a iniciativa não era nova e que Pereira já havia proposto anteriormente a possibilidade de criar uma entidade financeira com recursos previdenciários, quando se desempenhava como conselheiro do IPS.
"Ele tinha uma ideia há muito tempo já de criar ou replicar algo como o que em seu momento foi o Banco Nacional dos Trabalhadores", explicou.
Peña indicou que havia discutido tecnicamente essa proposta com Pereira e que não compartilhava seu posicionamento. Sobre a iniciativa de capitalizar uma entidade bancária mediante a aquisição de ações, reiterou seu desacordo.
Igualmente, assegurou que a proposta não chegou a ser considerada formalmente e que tomou conhecimento dela através dos meios de comunicação.
Consultado sobre a saída de Pereira de sua função, respondeu que se tratou de uma decisão do Conselho e do presidente do IPS, pelo que sinalizou que as explicações deveriam ser solicitadas a essas autoridades.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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